Intenções e realidade
O Irão está a frustrar as intenções de EUA e Israel
O incremento da política de confrontação e agressão do imperialismo norte-americano continua a marcar os desenvolvimentos da situação internacional. Uma política que, sendo projectada no plano mundial, se centra neste momento no Irão, último grande obstáculo à imposição do domínio do imperialismo norte-americano no Médio Oriente.
Passo a passo, os EUA procuram implementar o seu multifacetado plano, com que tentam contrariar o seu declínio relativo, a luta dos povos pela sua soberania e direitos e o ascenso de outros países no plano internacional.
Ao ditarem que os seus aliados da NATO se deviam responsabilizar pelo prolongamento da guerra da Ucrânia e que o Japão e outros países da Ásia-Pacífico deviam assumir acrescidas responsabilidades na confrontação com a China – desde logo, e em ambos os casos, pelos seus custos económicos e militares –, os EUA justificaram esta atribuição de tarefas pela necessidade de se poderem concentrar noutras prioridades.
A realidade está a mostrar quais são as suas intenções. Depois de agredirem militarmente a Venezuela bolivariana e de sequestrarem o seu Presidente, Nicolás Maduro, de agravarem o bloqueio a Cuba e de colocarem sob permanente ameaça estes e outros países latino-americanos, os EUA, com o apoio de Israel, agrediram militarmente o Irão, promovendo a desestabilização de todo o Médio Oriente e, consequentemente, da economia mundial.
No entanto, a determinada resistência do Irão à criminosa agressão está a frustrar os planos dos EUA e de Israel. Tal realidade é não só evidenciada pela rápida sucessão de diferenciadas falsidades, pretextos e ditos objectivos com vista a “normalizar” esta flagrante violação do direito internacional, como pelas dificuldades sentidas pelos EUA e Israel na tentativa do envolvimento de outros nesta agressão militar.
Face à tenaz resistência iraniana, é sintomática a rejeição de outros países, assim como de grupos armados, em serem utilizados como “carne para canhão” nesta guerra dos EUA e de Israel. Mesmo os aliados da NATO e da União Europeia, embora partilhando e apoiando politicamente os objectivos da agressão, temem pagar (ainda mais) os custos económicos (ou militares) do seu prolongamento e agravamento.
Para os responsáveis da União Europeia que, por vezes, tanto apregoam o direito internacional, a questão não é denunciar e condenar esta violação do direito internacional e nomear os seus responsáveis – aliás, fogem desta como o diabo da cruz –, mas tão só o facto de não terem sido tido ou achados pelos EUA e Israel na decisão da agressão, ou seja, dos seus interesses não estarem, mais uma vez, a ser levados em conta.
Embora com diferenças e nuances, as grandes potências da NATO e da UE tentam utilizar a actual situação para mostrar aos EUA que não gostam de ser abertamente tratadas como vassalos ou instrumentos ao sabor das conveniências dos EUA. Dito de uma outra forma, as potências aliadas dos EUA na NATO e da UE até poderiam ir mais longe no seu apoio à agressão militar contra o Irão, desde que os EUA se envolvessem de forma clara no prolongamento e agravamento da guerra na Ucrânia.
No fundo, sinais dos tempos, em que a potência imperialista hegemónica, os EUA, não olha a meios para tentar contrariar o seu declínio relativo, desde logo à custa da paz, da soberania e dos direitos dos povos e, se necessário, dos interesses das restantes potências imperialistas, que se reúnem com os EUA no G7.




