Frenesim reaccionário

Carlos Gonçalves

As forças do grande capital, a AD, PSD/CDS, e seus acólitos, CH e IL, intervêm em muitas áreas e matérias com o frenesim de quem tem o pavor de não haver amanhã, como se temessem que a actual correlação de forças e esta possibilidade de ajuste de contas com o 25 de Abril se finassem na curva da história. É caso de lhes lembrar que a luta de classes e de massas, dos trabalhadores, da juventude e do povo, aqui e agora, impedirá muitas medidas contra-revolucionárias e que, mais cedo que tarde, a correlação de forças acabará revertida e o processo de avanço social, cultural, económico e político retomará o seu avanço. O frenesim reaccionário não tem grande futuro.

Sem escrúpulos nem pudor, a política do Governo e seus acólitos, muitas vezes com o silêncio do PS, no caso do plano ideológico-mediático, visa consumar rapidamente o pouco que falta do controlo dos media pelos grupos económico-mediáticos e ao serviço dos grandes interesses. O silenciamento, ocultação e censura mediática dos comunistas e democratas e das lutas populares, como nunca visto, é o resultado óbvio.

É o que acontece na RTP, que enfrenta a ofensiva mais brutal da política de direita em muitos anos, com o objectivo de torná-la mais retrógrada, insustentável, irrelevante, manietada, asfixiada, sem meios nem ferramentas, com menos trabalhadores, mais explorados, sem direitos nem condições de luta. É esse o caminho que o governo e o ministro Leitão Amaro estão a percorrer, enquanto não podem privatizá-la.

É o que acontece na LUSA, sob controlo do ministro, onde se esboça uma “reforma” que aprofunde a menorização e agora a fusão-instrumentalização com a RTP, num modelo governamentalizado, para que “não caia no controlo de nenhum Sócrates” – passe o slogan estafado da propaganda do ministro Leitão –, vale perguntar se faltam aldrabões nas hostes de PSD, CDS. CH e IL. Não consta.

E acontece com grandes negócios de concentração de propriedade, sem cobertura constitucional, prometidos e facilitados pelo Governo, a AD e seus cúmplices, já pagos, ou cuja factura logo chegará ao OE, na VASP, na SIC-Expresso e outros, para um sistema de comunicação, desinformação e ataque à liberdade de imprensa e informação que, cada vez mais, exige o respeito pela CRP, a ruptura e a alternativa.

 



Mais artigos de: Opinião

Pela paz ao longo de 105 anos...

Para os comunistas, a luta pela paz é indissociável da luta pela soberania e os direitos, pela emancipação social dos trabalhadores e do povo, pela construção da sociedade nova, o socialismo e o comunismo. Não foi por acaso que, na Revolução de Outubro, o primeiro decreto do poder soviético...

Intenções e realidade

O incremento da política de confrontação e agressão do imperialismo norte-americano continua a marcar os desenvolvimentos da situação internacional. Uma política que, sendo projectada no plano mundial, se centra neste momento no Irão, último grande obstáculo à imposição do domínio do imperialismo norte-americano no Médio...

Imaginação, apenas

Imaginemos por um instante que um qualquer país – asiático, africano, latino-americano – bombardeava o Palácio do Eliseu, em Paris, e assassinava o presidente francês. Ou então que, numa rápida e brutal operação militar contra o célebre número 10 de Downing Street, em Londres, sequestrava o primeiro-ministro britânico,...

Pão por Deus

A notícia conta-se rápido, mas nem por isso deixa de ser chocante. O Colégio dos Salesianos de Manique, em Cascais, é uma escola privada que, para além das crianças que aí se inscrevem, contrata com o Ministério da Educação um determinado número de turmas para crianças para quem a escola pública não tem resposta na...

Máfia

Em 1942 os EUA tinham preocupações com a segurança do porto de Nova Iorque e de toda a actividade em seu torno: dos estaleiros de construção naval à frota pesqueira, das docas à lota e venda a retalho. Precisavam da confiança e da mobilização dos trabalhadores para o esforço de guerra. O que fizeram foi recorrer à Máfia,...