Listas de espera em cardiologia crescem no Norte
Quatro hospitais do norte enviaram, em Fevereiro, uma carta de alerta à ministra da Saúde sobre as listas de espera de doentes com problemas cardíacos. Situação que a Direcção da Organização Regional do Porto (DORP) do PCP considera «inaceitável». O que é preciso é «mais investimento no SNS», afirmam os comunistas do Porto.
Aumento das listas de espera é consequência de política de desinvestimento no SNS
Os hospitais Santo António, no Porto, Pedro Hispano, em Matosinhos, Padre Américo, em Penafiel, e São Pedro, em Vila Real, alertaram para o grave aumento das listas de espera de doentes com problemas cardíacos a necessitar de cirurgia ou de implantação da válvula da aórtica, que só podem ser referenciados para os dois centros existentes nesta área – nos hospitais de Vila Nova de Gaia e São João. São «hospitais que fazem o seu trabalho meritório, mas que não estão a conseguir dar resposta no tempo adequado, enquanto há outros serviços, como o nosso, com infra-estruturas e competências técnicas para se tornar um centro cirúrgico (…) e que há mais de dez anos aguarda autorização para o poder fazer», salientou ao Diário de Notícias André Cruz, director do Serviço de Cardiologia do Hospital de Santo António.
São dois os hospitais a norte de referência para esta área, surgindo, mais recentemente, um terceiro, o de Braga. No entanto, a questão prende-se na dificuldade destas unidades em dar resposta aos seus doentes e aos destes quatro hospitais que, por ano, segundo a carta, referenciam entre 500 a 600 pacientes. O aumento dos tempos de espera acarretam, naturalmente, situações de risco e mais fatalidades.
«Inaceitável»
Para a DORP do PCP, esta «inaceitável» situação expõe o «panorama que se vive nesta área da saúde», evidenciando as «consequências das políticas de desinvestimento no SNS, bem como quem delas alimenta o seu negócio».
«O PCP não admite que, à boleia da sobrecarga assistencial dos serviços nos hospitais de São João e Gaia, se multiplique serviços parciais e disperse meios, que se compita por profissionais e se esvazie a capacidade de centros existentes», salienta a direcção regional portuense em comunicado.
Se por um lado, realça a DORP, este tipo de procedimentos envolve unidades altamente especializadas, equipas e cirurgiões muito diferenciados, com um número de doentes não tão elevado, justificando que os recursos se concentrem em menos hospitais, por outro, exige-se que essa disponibilidade cubra todas as áreas geográficas e garanta resposta atempada e adequada.
«Os responsáveis políticos têm procurado reduzir este tema à abertura ou não de novos centros de cirurgia cardíaca e à gestão dos escassos recursos existentes, fugindo ao essencial: que é a política de desinvestimento no SNS que tem vindo a ser seguida pelos sucessivos governos, do PS e PSD-CDS, agora com o apoio do Ch e IL, que cria assimetrias e competição entre unidades de saúde», lê-se no comunicado.
Heliporto em Matosinhos encerrado
No dia 25, o PCP mostrou-se preocupado com o encerramento do heliporto do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, por falta de condições de segurança, na sequência de recomendações da Autoridade Nacional de Aviação Civil. Em causa estão obstáculos nos canais de aproximação que comprometem a segurança na utilização do equipamento.
Segundo a Comissão Concelhia de Matosinhos do PCP, que considera esta situação «grave e lesiva dos interesses da população», a responsabilidade pela remoção destes obstáculos é da Câmara Municipal. O eleito da CDU na Assembleia Municipal entregou um requerimento onde questiona o executivo autárquico sobre a resolução deste problema.




