Alta Velocidade não pode prejudicar população
O Estudo de Impacte Ambiental (EIA) para a quadruplicação da troço ferroviário Castanheira-Alhandra, inserido na modernização da Linha do Norte, foi apresentado no início do ano. O projecto, avisa a Comissão Concelhia de Vila Franca de Xira do PCP em comunicado, não soluciona problemas que poderiam, já hoje, ser resolvidos.
A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira deu um parecer negativo ao projecto
Em causa está o EIA apresentado no início do ano e outro, mais recente, dado a conhecer numa sessão conjunta entre a Infra-estruturas de Portugal e a Agência Portuguesa do Ambiente. Este último, apesar de desenvolver alguns aspectos que anteriormente suscitaram preocupações, não introduziu melhorias substantivas – nomeadamente a de manter a intenção de acrescentar duas linhas ao actual canal ferroviário. Esta quadruplicação, rejeitada por parte da população e pelo PCP, articula-se com o objectivo de colocar a linha de Alta Velocidade no canal ferroviário da Linha do Norte, necessidade que o Partido afirma, desde o primeiro momento, não estar comprovada.
No mais recente EIA, confirmam-se ainda as preocupações levantadas pelos comunistas relativas ao impactos negativos das vibrações e ambiente sonoro, assim como de aumento da vulnerabilidade da infra-estrutura a inundações e outros eventos climatéricos extremos. Ao mesmo tempo, acrescenta a comissão concelhia vila-franquense, foram ignorados os impactos negativos na paisagem, composição arbórea da zona afectada e nas estruturas das habitações nas áreas contíguas, assim como na EB1 de Alhandra.
Acresce, por último, que o EIA não foi compatibilizado com o Plano Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas (PMAAC), chegando mesmo a provocar um conflito no que diz respeito à orientação de não se sobrecarregar zonas de leito de cheia com infra-estruturas pesadas.
Segundo a Comissão Concelhia do PCP, foi através da intervenção dos eleitos da CDU na CM de Vila Franca de Xira que foi possível exigir a compatibilização do EIA com o PMAAC, a exigência de outros estudos em falta no EIA e que o executivo municipal transmitisse o seu parecer negativo ao EIA.
Exigências imediatas
Independentemente do projecto de quadruplicação, o PCP salienta que importa reforçar a oferta de comboios na Linha da Azambuja; reforçar a manutenção das estações existentes (em particular, dos elevadores); estudar a construção de bolsas de estacionamento dissuasor junto às estações ferroviárias de Vila Franca de Xira e Alhandra; e travar as intenções de privatização da Linha da Azambuja.
Quanto ao projecto de modernização da Linha do Norte, o PCP garante que não desistirá de exigir o estudo de um canal autónomo para a linha de Alta Velocidade, articulado com o Plano Ferroviário Nacional existente e o novo aeroporto de Lisboa.
Reabrir a Linha do Corgo
No dia 1, a Comissão Concelhia de Vila Real do PCP realizou uma conferência de imprensa junto à antiga estação de Vila Real, onde reivindicou a reactivação da linha ferroviária do Corgo que serviu, durante anos, a população da região, aproximando as freguesias à sede de concelho. Ricardo Almeida, membro da concelhia comunista e da Direcção da Organização Regional de Vila Real, reafirmou que o Interior não pode continuar abandonado e que a linha em questão faz falta ao desenvolvimento da região e coloca em causa a coesão territorial do País.
Após a conferência, os militantes deslocaram-se às aldeias mais afectadas pelo encerramento, contactando com a população e recolhendo testemunhos que confirmaram a sua urgente reactivação.




