Mentem descaradaMENTE

Manuel Rodrigues

A política de direita que sucessivos governos do PSD, PS e CDS têm vindo a pôr em prática no nosso país, ao longo de muitos anos (agora com o apoio do Chega e IL), é a responsável pelos problemas que o povo enfrenta e que a acção do actual Governo PSD/CDS agrava ainda mais: baixos salários, baixas pensões, degradação dos serviços públicos (em particular, o SNS e a escola pública), aumento do custo de vida, dificuldades no acesso à habitação, falta de vagas nas creches e nos lares, falta de emprego, emprego precário, horários desregulados, desigualdades sociais, entre tantos outros.

Ora, instrumentalizando esse descontentamento, as forças de direita e extrema-direita decidiram fazer dos imigrantes o bode expiatório dessa política. E, recorrendo à desinformação, mentira e difamação, tudo fazem para desviar as atenções dos verdadeiros responsáveis pela situação, o grande capital, cujos interesses essas forças defendem, dirigindo o dedo acusatório aos imigrantes.

Vai daí, usam e abusam da artilharia ideológica com que difundem as suas concepções reaccionárias e retrógradas: que passam à frente dos portugueses no acesso às escolas e serviços de saúde, que não pagam impostos, que são criminosos, que as mulheres imigrantes vêm para cá para ter os seus filhos, que os imigrantes não podem viver à custa de subsídios.

Ora, a Segurança Social (SS) divulgou, na 5.ª feira da semana passada, dados que desmentem cabalmente estas afirmações mentirosas, xenófobas e difamatórias.

Ficámos, assim, a saber que, ao longo de 2025, mais de um milhão de estrangeiros trabalharam em Portugal (20 por cento dos trabalhadores no activo), descontaram 4,15 mil milhões de euros para a Segurança Social (13,7% do total das contribuições) e receberam 822 milhões em prestações sociais, o que significa que a SS recebeu deles cinco vezes mais do que aquilo que lhes pagou, nos tais «subsídios» de que o Chega tanto fala.

E, para cúmulo, é o próprio Governo que se vê obrigado a reconhecer que a reconstrução do que foi destruído pelas tempestades impõe que se tenha que recorrer à captação de trabalhadores estrangeiros.

Reaccionários, retrógrados e mentirosos, nem se dão conta do ridículo em que caem. Mas os trabalhadores e o povo, com o papel insubstituível do PCP, não desarmarão na luta pelos direitos. E para abrir caminho a uma outra política que valorize o trabalho e os trabalhadores, independentemente da sua origem ou condição.



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