“Isto anda tudo ligado”
A estratégia de confrontação e guerra, de chantagem, rapina e colonização do imperialismo integra o crescente ataque à Carta das Nações Unidas, aos direitos dos povos e à própria ONU. É por isso que se acentuam as violações abertas dos mais básicos princípios do Direito Internacional edificado após a derrota do nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial. Havendo inúmeros exemplos desse processo, há três acontecimentos recentes que mais uma vez o demonstram.
O primeiro é a recente reunião do “Conselho da Paz” de Trump, desenhado para “sustentar” no plano político, militar e económico a colonização de Gaza e o prosseguimento do objectivo imperialista e sionista do “Grande Médio Oriente”, mas que tem um outro objectivo: afrontar directamente o Direito Internacional e a própria existência da Organização das Nações Unidas. Num quadro extremamente complexo e onde imperam contradições de vário tipo, o tempo dirá até onde consegue ir o imperialismo norte-americano nesses objectivos e se todos os membros do dito “Conselho” darão cobertura aos intentos de um projecto que é mais do que um “devaneio” de Trump.
O segundo é a perseguição a Francesca Albanese, a relatora especial da ONU para os territórios palestinianos ocupados. A 7 de Fevereiro, numa conferência em Doha, a relatora pôs o dedo na ferida ao responsabilizar vários governos pela normalização da violência extrema em Gaza e pela impunidade de Israel, denunciando o apoio económico, financeiro e militar a um governo acusado de genocídio. A ira dos EUA e de Israel, a que se juntaram vários governos europeus, não se fez esperar. Os EUA incluíram a relatora da ONU numa lista negra, negando-lhe o visto de entrada no país. Da “democrática” Europa veio a exigência da sua demissão, “justificada” com o falso argumento do “anti-semitismo”. Entretanto o genocídio prossegue, Israel ocupa já 60% de Gaza e na Cisjordânia a barbárie vai-se intensificando sob um manto de silêncio, cumplicidade e apoio aos criminosos.
O terceiro acontecimento é a operação de ingerência e chantagem contra o Irão que poderá resultar num novo ataque militar e numa nova grande guerra no Médio Oriente, pelo menos. A “naturalização” de mais uma abominável violação do Direito Internacional e a ausência de uma discussão pública sobre isso demonstra bem o patamar em que estamos. Como dizia o outro: “isto anda tudo ligado”.




