Contra o racismo

Margarida Botelho

Discutiu-se muito a propósito do jogo da Liga dos Campeões entre o Benfica e o Real Madrid, no estádio da Luz, em que foi activado o protocolo anti-racismo da UEFA. Pode dizer-se que tudo o que envolve o futebol desencadeia paixões pouco propícias à reflexão política. Mas há no que se disse a propósito do que se terá passado entre os jogadores, que ainda está em apuramento, elementos que merecem que se pense neles.

O racismo é inaceitável. Não pode haver complacência com insultos, imitação de urros, rebaixar seres humanos comparando-os com animais. Estar num recinto desportivo, muito entusiasmado com a nossa equipa, não é desculpa. Estar num programa de comentário desportivo a responsabilizar quem foi insultado ou a invocar a liberdade de expressão para defender a desumanização de atletas também não é. Argumentar que “agora não se pode dizer nada”, ou que se pode chamar tudo menos um insulto racista, normaliza o racismo. E o insulto em geral, já agora.

O racismo não é um fenómeno que só exista nos estádios. As concepções e os discursos racistas, xenófobos, de atribuição de características negativas a grupos sociais, etnias, aos imigrantes, ganharam espaço nos últimos anos com a promoção dada às forças reaccionárias no nosso país. Normalizar esses discursos, desculpá-los com um contexto qualquer, encontrar no comportamento das vítimas supostas justificações, promove a divisão e a violência. É uma atitude que a generalidade do povo português não só não tem como rejeita com veemência.

O desporto, incluindo o futebol profissional, não é só negócio de milhões. É um espelho da sociedade, no que tem de positivo e de negativo. Tem um papel de desenvolvimento integral, de promoção de valores democráticos, da saúde, de participação popular.



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