Neocolonialismo na primeira pessoa
EUA querem reajustar a sua presença militar global
O “hemisfério ocidental” é apontado como sendo uma analogia à divisão geográfica do globo terrestre em Hemisfério Sul e Hemisfério Norte, abrangendo o espaço a Oeste do Meridiano de Greenwich (0º) até à longitude (180º), englobando o continente americano e partes da Europa, de África e da Antártida. A crer na definição de “hemisfério ocidental”, será todo este espaço geográfico que o imperialismo norte-americano ambiciona tutelar de imediato, impondo relações de carácter neocolonial, ou mesmo colonial, para restaurar a dita “preeminência norte-americana” sobre países e povos, na linha da Doutrina Monroe, proclamada pelos EUA em 1823, negando «aos concorrentes não hemisféricos [mas também aos países que designa hemisféricos] a capacidade de posicionar forças ou outros recursos ameaçadores, ou de possuir ou controlar activos estrategicamente vitais, no nosso [isto é, no seu] hemisfério.»
Para alcançar tais “benignas intenções” – parafraseando o inefável ministro Paulo Rangel –, os EUA, entre outros aspectos, irão reajustar a sua presença militar global, a fim de lidar com as ameaças que consideram urgentes no “seu” hemisfério; utilizarão a imposição de «taxas aduaneiras e acordos comerciais recíprocos como ferramentas poderosas», para tornar este hemisfério «num mercado cada vez mais atraente para o comércio e o investimento norte-americanos»; ao mesmo tempo que trabalharão para fortalecer as suas “parcerias de segurança”, «desde a venda de armas até à partilha de informações e exercícios conjuntos». E, para que não restem dúvidas, os EUA avisam: «Queremos que outras nações nos vejam como o seu parceiro de primeira escolha e (por diversos meios) iremos desencorajar a sua colaboração com outros.»
O que faz correr o imperialismo norte-americano é a constatação de que o dito “hemisfério ocidental” abriga muitos recursos estratégicos e que não pode permitir que estes recursos sejam soberanamente usados pelos povos. Brandindo o “bastão” e a “cenoura”, os EUA confessam: «Os termos das nossas alianças e os termos sob os quais fornecemos qualquer tipo de ajuda devem depender da redução da influência adversária externa – desde o controlo de instalações militares, portos e infra-estruturas essenciais, até à compra de activos estratégicos, definidos de forma ampla». E, para os países recalcitrantes, avisam: «A escolha que todos os países devem ter de enfrentar é se querem viver num mundo liderado pelos Estados Unidos da América (...) ou num mundo paralelo, no qual são influenciados por países do outro lado do mundo.»
Não deixando nada ao acaso, os EUA dizem que irão intervir para «reverter medidas como a tributação direccionada, a regulamentação injusta e a expropriação, que prejudiquem as empresas americanas» adoptadas por outros países. E insistem: «Os termos dos nossos acordos, especialmente com os países que mais dependem de nós e, portanto, sobre os quais temos mais influência, devem ser contratos de fonte única para as nossas empresas. Ao mesmo tempo, devemos envidar todos os esforços para expulsar as empresas estrangeiras que constroem infraestruturas na região.» Proclamando abertamente ao que vem, o neocolonialismo que o imperialismo norte-americano anuncia para o “hemisfério ocidental” é o mesmo que ambiciona para o mundo, que o digam os povos do Médio Oriente, a começar pelo povo palestiniano.




