Com a verdade me enganas

João Frazão

Na miríade de politólogos que comentam a espuma dos dias nas televisões, nas rádios e nos jornais sempre se encontram declarações com interesse, mesmo que, invariavelmente, os jornalistas passem à frente destas, seguindo os guiões previamente distorcidos.

No noticiário da Antena 1, das 9h00 desta segunda-feira, Pedro Magalhães, investigador do Instituto de Ciências Sociais, comentando os elementos que podem condicionar a opção de voto dos eleitores nesta semana final de campanha, foi um desses casos. Disse o investigador, reconhecendo o que há muito o PCP vem denunciando, que um desses elementos é exactamente a forma como a comunicação social tratar as diversas candidaturas nesta fase final. Tese tão verdadeira quanto pode ser confirmada quase em tempo real na forma como as iniciativas da candidatura de António Filipe, deste fim de semana, designadamente os comícios em Gaia e em Lisboa – sem margem para dúvida, das maiores acções de campanha já realizadas –, e que foram tratadas, não ao nível de todas as outras, mas de acções com meia dúzia de pessoas ou com poucas dezenas, de outros candidatos, e, em particular, naquele mesmo noticiário, em que o comício do pavilhão do Casal Vistoso, com milhares de participantes, esteve completamente ausente.

E a questão é que quando encontramos pessoas a dizer-nos, nas distribuições nos mercados, nas empresas, no centros de transportes, que não precisam de papéis porque ouvem os candidatos na televisão, elas estão mesmo convencidas que o tratamento entre todas as candidaturas é igual, não percebendo a manipulação a que estão sujeitas.

Exactamente como não percebem a manobra que, também por via da comunicação social, está em curso através das mal ditas sondagens e que não são mais que tacanhos estratagemas de promoção dos candidatos do consenso neoliberal (como acertadamente lhes tem chamado António Filipe) e de condicionamento das opções eleitorais, procurando puxar por uns e apoucar outros candidatos. Chegamos mesmo ao ponto de a CNN, passando por cima dos escandalosos buracos em anteriores eleições relativamente ao resultado real, oferecer diariamente um espectáculo de sobe e desce, desprovido de qualquer fundamento técnico e cientifico, a que o pivot se referiu, com indisfarçável orgulho, como estando no centro da campanha eleitoral, ou seja, confirmando os seus objectivos.

Perante isto, que não restem dúvidas, a resposta é sempre a mesma, ir para a rua, falar com outros, ligar-nos às massas, contrariar os algoritmos e resistir sempre, que resistir já é vencer.



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