Venezuela resiste e luta!

Pedro Guerreiro

EUA querem fazer da América Latina e Caraíbas a sua “coutada”

Tanta propaganda, tantas operações de mentira e manipulação para ocultar a intrínseca natureza agressiva do imperialismo, eis que os EUA – com o cúmplice silêncio dos seus subordinados – voltam a deixar cair a sua hipócrita máscara de defensores dos princípios do direito internacional, com o apregoar de ditames neocoloniais e a prática da política da canhoneira, incluindo com a ameaça de agressão militar, contra a República Bolivariana da Venezuela.

A acção de ingerência e agressão por parte dos EUA, agora com a ameaça do recurso à força militar, contra o povo venezuelano e tendo em vista a apropriação dos seus imensos recursos é longa e teve um novo e significativo recrudescimento com o início da Revolução Bolivariana, há cerca de 25 anos. Operações de desestabilização e de desinformação, tentativas de golpe de Estado, instigação da acção violenta terrorista, sabotagem, bloqueio económico e financeiro, roubo de activos venezuelanos no estrangeiro, sanções e tentativa de isolamento político – o imperialismo tudo tentou para derrotar o processo bolivariano, com o que este representa de avanços e conquistas para o povo venezuelano e de solidariedade anti-imperialista, e pelo exemplo que constituiu de resistência para os povos do mundo.

Por isso, enganam-se, e levam ao engano, todos aqueles que julgam ou veiculam a ideia de que o alvo é apenas a Venezuela bolivariana ou outros países que, tal como a Venezuela, defendem os seus direitos e soberania. Se preconceitos persistem, bastará atentar na denominada “Estratégia de Segurança Nacional” dos EUA para os dissipar. Dita a dita que os EUA «reafirmarão e aplicarão a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental», ou seja, para assegurar que a América Latina e as Caraíbas sejam a sua “coutada”, impondo a sua dependência e o domínio económico, político e militar do imperialismo norte-americano. Para tal, os EUA apontam ser necessário «um reajustamento» da sua «presença militar global, a fim de lidar com ameaças urgentes», nomeadamente na América Latina.

Deste modo, a agressão dos EUA à Venezuela integra-se, obviamente, num projecto muito mais vasto, não representando apenas um ataque aos direitos, à soberania, à paz e à segurança do povo venezuelano, mas também aos direitos, à soberania, à paz e à segurança dos outros povos latino-americanos e caribenhos, assim como do mundo.

Consequentemente, é vergonhoso o silêncio do Governo português perante as abertas acções e ameaças belicistas dos EUA e as suas proclamações de domínio neocolonial sobre o petróleo, a terra e outros recursos do povo venezuelano. Tão célere e enfático a proclamar a defesa do direito internacional noutras parcas situações, não tem uma palavra de distanciamento, preocupação, denúncia ou condenação perante a chantagem, as acções e as ameaças dos EUA contra a Venezuela, que constituem uma flagrante violação dos princípios da Carta da ONU e do direito internacional.

Uma situação tanto mais incompreensível, quando na Venezuela vivem centenas de milhares de portugueses que, recorde-se, tal como o povo venezuelano, são profundamente afectados por uma criminosa acção e bloqueio impostos pelos EUA, que premeditadamente visam atingir e degradar a economia e as condições de vida na Venezuela.

 



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