A pobreza e o modo de a remover

Manuel Rodrigues

Referia a Lusa que, ao visitar o Banco Alimentar Contra a Fome, em Alcântara, Lisboa, no dia em que arrancou a campanha de recolha de alimentos, o Presidente da República admitiu sentir-se frustrado por os números da pobreza em Portugal não terem diminuído, acrescentando que testemunhou os esforços dos vários governos ao longo de décadas, «que fizeram o que puderam, tentaram fazer o que puderam».

Não aludiu, no entanto, à verdadeira causa em que radica o empobrecimento de grande parte dos portugueses (mais de dois milhões): os baixos salários e as baixas pensões, o ataque aos serviços públicos que os tem vindo a tornar cada vez mais inacessíveis. Não referiu as dificuldades de acesso à habitação, nem referiu as privatizações que retiraram o controlo público a numerosas empresas e a sectores estratégicos. Em suma, não referiu que a causa fundamental da pobreza radica na política de direita e de submissão às imposições da União Europeia, que tornaram o País mais assimétrico, injusto e desigual. Nem referiu tão pouco que essas são opções políticas que há quase cinquenta anos vêm sendo assumidas pelos governos do PS, PSD e CDS (agora com o apoio do Chega e da IL), em sentido contrário às transformações da Revolução de Abril, essas sim, voltadas para a eliminação da pobreza.

Não, estes governos não «fizeram o que puderam» para combater a pobreza, como o PR afirma. Pelo contrário, o que fizeram, e, para isso, fizeram de facto muito, foi promover a concentração da riqueza nas mãos de muito poucos à custa do aprofundamento da exploração, do empobrecimento e das desigualdades.

A pobreza não se resolve com respostas que, embora mitiguem as situações extremas de carência alimentar, não removem as suas causas fundamentais. Resolve-se, isso sim, com uma política que valorize os salários e as pensões, reforce os Serviços Públicos, garanta habitação condigna, defenda os direitos laborais. Resolve-se, obrigando o Governo a retirar o pacote laboral e a revogar as normas gravosas da legislação laboral.

Por isso mesmo, quem tem feito muito para combater a política que gera a pobreza têm sido os trabalhadores, o povo e partidos como o PCP, com a sua intensa acção em defesa dos direitos (em que se inscreve a luta contra o pacote laboral) e por uma outra política, alternativa, que retome os caminhos de Abril, promova o desenvolvimento, garanta a paz e e o progresso social.

Faz-se dinamizando essa intervenção, intensificando a luta e, claro, no próximo dia 11, participando na greve geral.

 



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