Continuemos a solidariedade

Pedro Guerreiro

No dia 29, em Lisboa e no Porto, que ninguém falte

Tendo passado mais de um mês sobre o início do cessar-fogo na Faixa de Gaza, Israel continua a não cumprir aspectos fundamentais do acordo alcançado, continuando a atacar militarmente a população palestiniana, assim como a condicionar a entrada da ajuda humanitária, sendo apontado que só um terço da ajuda necessária terá chegado à população deste território palestiniano. Ao mesmo tempo, o regime sionista de Israel continua a agredir militarmente e a dar cobertura aos ataques dos colonos israelitas nos territórios palestinianos da Cisjordânia e Jerusalém Leste.

Se o acordo de cessar-fogo não deixou de constituir uma vitória da corajosa resistência palestiniana – que, perante a brutal agressão genocida por parte de Israel, realizada com o apoio e a cumplicidade dos EUA e das potências da NATO e da UE, gorou os planos sionistas de expulsão da população, de colonização e de anexação deste território palestiniano –, também constituiu uma oportunidade para o imperialismo tentar sacudir a enorme pressão a que estava sujeito face à determinação demonstrada pelo povo palestiniano em lutar pelos seus legítimos direitos nacionais e ao imenso movimento de solidariedade que se expressava no plano internacional.

Na verdade, não é porque as insuportáveis imagens e descrições, que revelam o horror, a crueldade, as atrocidades a que o povo palestiniano foi e é sujeito às mãos de Israel, rareiam cada vez mais na agenda quotidiana dos meios de comunicação social, que esta inaceitável realidade deixou de existir – a agressão, a ocupação, a colonização da Palestina continuam, assim como os intentos para as prolongar, em flagrante violação dos direitos nacionais do povo palestiniano.

Quando esta crónica internacional foi escrita ainda não era público o conteúdo da resolução aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a Faixa de Gaza, tendo por base a concretização do denominado plano Trump. No entanto, são múltiplas as reacções que sublinham e denunciam que, entre outros aspectos, ela não coloca como objectivo imediato a necessária e urgente concretização do Estado da Palestina, com as fronteiras de 1967 e capital em Jerusalém Leste, assim como do direito de retorno dos refugiados palestinianos, como há muito é determinado nas resoluções da ONU. E que, pelo contrário, contém gravosos aspectos que não respeitam a soberania e os direitos do povo palestiniano – nomeadamente o direito a determinar o seu caminho, incluindo o de resistir à ocupação – e que secundarizam o quadro e o papel da ONU, visando impor uma tutela externa sobre a Faixa de Gaza, que alguns já comparam a práticas neocoloniais.

O movimento de solidariedade com o povo palestiniano deve continuar, apoiando a sua luta pelos seus inalienáveis direitos nacionais e pela Paz no Médio Oriente. Uma solidariedade que continua a ter expressão nas diversas iniciativas realizadas em vários pontos do País pela Campanha «Todos Pela Palestina! Fim ao genocídio! Fim à ocupação!» e que a 29 de Novembro, no Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestiniano, promoverá uma manifestação nacional que se repartirá por Lisboa e Porto.

Que ninguém falte! A corajosa luta do povo palestiniano continua a precisar da expressão da solidariedade de cada um de nós.



Mais artigos de: Opinião

Clareza, coragem e iniciativa

A política de direita desperdiçou meios, desmantelou o aparelho produtivo, generalizou a corrupção, aumentou as desigualdades sociais, fez crescer a desconfiança na acção política. Ano após ano, eles falaram, falaram e foram atacando os direitos sociais e desvirtuando o regime democrático,...

O caniche

Esta crónica é sobre o Chega, mas não sobre o que habitualmente se diz e escreve na generalidade dos jornais, televisões e rádios sobre o Chega. Não vai atrás de tiradas fascistóides, cartazes ofensivos ou tik-toks racistas, por mais graves que sejam – e são! Não debate o relevante mas complexo conceito de “populismo”...

Trabalho e luta

Ainda só se indiciava como provável uma resposta dos trabalhadores à declaração de guerra aos seus direitos e condições de vida vertida no pacote laboral e já se ligavam os motores para pôr em marcha o conjunto de distorções e falsidades para a desvalorizar, denegrir ou anatemizar. Nada que cause surpresa maior. Há quem,...

A precariedade não causa habituação

Cotrim de Figueiredo foi questionado sobre o pacote laboral e teve uma tirada de antologia: «a precariedade não é em si uma fragilidade. É só uma habituação à mudança.» Cotrim apresenta-se como fresco e moderno, grava tiktoks, escreve “imagina Portugal” nos cartazes. Mas tem uma cabeça velha. Defende o que de mais...

O “príncipe” e a Impresa/MFE

Faleceu o patrão do grupo Impresa, F. P. Balsemão (FPB), e importa lembrar a sua biografia real: filho da alta burguesia e neto da aristocracia de “sangue real”, o “príncipe” começou a carreira com Kaúlza de Arriaga, Secretário de Estado da Força Aérea, ultra do fascismo, para quem dirigiu a revista Mais Alto, depois...