O “príncipe” e a Impresa/MFE

Carlos Gonçalves

Faleceu o patrão do grupo Impresa, F. P. Balsemão (FPB), e importa lembrar a sua biografia real: filho da alta burguesia e neto da aristocracia de “sangue real”, o “príncipe” começou a carreira com Kaúlza de Arriaga, Secretário de Estado da Força Aérea, ultra do fascismo, para quem dirigiu a revista Mais Alto, depois juntou capitais para fundar o Expresso em 1973; a SIC só foi fundada em 1992, com capitais do Grupo Globo.

Em 1973, chegou a deputado na Assembleia Nacional pelo partido único do salazarismo, integrou com Sá Carneiro a “ala liberal” na manobra da “primavera Marcelista” (que M. Soares ajudou) e que acabou, mais a ditadura, pela unidade e luta antifascista, em Abril de 1974.

FPB foi primeiro-ministro da AD de 1981 a 1983 – saiu do governo, isolado e vencido. Foi militante n.º 1 do PPD/PSD. Usufruiu de inúmeros tachos, na estrutura patronal, nos média, nos bancos, foi o único português na direcção do Grupo Bilderberg(!), esteve sempre com a política de direita e os seus protagonistas, foi um reaccionário.

O Grupo Impresa – Expresso, SIC, etc. – tem hoje sérias dificuldades no mercado: o Expresso em 2002 publicava 143 mil exemplares, hoje são 34 mil, mais 50 mil no digital; a SIC em 1995 liderava (39%) as audiências, agora está (14%) atrás da TVI (15%). A situação financeira é muito difícil, houve prejuízos de 66 milhões em 2024, as dívidas são de 150 milhões, falhou a venda da sede e há trabalhadores em luta desde 2022. A Impresa carece de 80 milhões já.

FPB pôs todas as fichas no saque à RTP, para abichar apoio orçamental e publicidade, mas o governo foi travado nesse caminho, embora o continue com a Plataforma dos Privados.

Agora, está a andar a “reorganização de propriedade”, com a venda de participações. O grupo MediaForEurope (MFE), do clã Berlusconi, com televisões em Itália, Espanha e Alemanha, é candidato a 33% da Impresa e procura mais investidores para o negócio, veremos se e como os herdeiros de FPB pesam na nova Impresa. Provavelmente vão apenas tratar da carteira.

A MFE na Impresa, a consumar-se, vai juntar-se aos grupos média estrangeiros dominantes no sistema mediático nacional, um vasto paradigma monopolista e imperialista que se vai consolidando, em conflito com a Constituição e a soberania nacional. É inaceitável!



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