Redes de extrema-direita

Carlos Gonçalves

Ficou-se agora a saber que um conjunto de 1400 vídeos, de produção própria, alcançou 132 milhões de visualizações nas redes sociais do CH, desde Janeiro. Tratam dos outdoors de provocação a ciganos e imigrantes do Bangladesh, com 43 milhões de visitas na net, e de mais 89 milhões de visualizações de propaganda fascista dos “três salazares”, ataques a crianças imigrantes, ciganos, muçulmanos, indostânicos, africanos, “corrupção”, “ataque à esquerda”, etc., 60% foram veiculados pelo “líder” do CH, que procura o conflito com a Constituição e o Código Penal, que proíbe a discriminação.

Dos 10 vídeos do TikTok mais vistos na política nacional, em 2025, com 73 milhões de visualizações, 66 milhões são de sete vídeos do CH. Haverá 20 mil perfis falsos nas estatísticas, são os robots digitais, é grave, e é mais uma fábrica da acção brutal das milícias digitais do CH. São 180 mil perfis no Facebook, 340 mil seguidores do “líder” no Instagram, centenas de grupos no Whatsapp, Youtube, etc..

As causas essenciais desta situação – a ofensiva imperialista e a política de direita de subversão da democracia – colocam um quadro em que o grande capital e a sua acção política e ideológica projectam cada vez mais o CH, a extrema-direita e as suas gigantescas redes sociais, tropa de choque da sua ofensiva de classe.

As redes sociais, na lógica e funcionamento automáticos do respectivo algoritmo, nos seus procedimentos precisos, padronizados e eficientes, levam mais fundo as normas do sistema mediático “global” dominante e do mercado ao serviço do capital: imediatismo, sensacionalismo, preconceito, anticomunismo, mais a inteligência artificial, ao serviço das classes dominantes.

As ideias e objectivos de direita e extrema-direita dominam completamente as redes, dirigem-se e publicam para públicos mais frágeis e menos informados. Para cada verdade em contexto, as redes decidem escolher e fabricar uma alternativa, que não problematize nem discuta, assim, em vez de um são visualizadas por seis “clientes” com notícias “fake”, todas as campanhas e imbecilidades do CH e da extrema-direita. É a lógica e o objectivo do lucro.

É possível derrotar a extrema-direita e as suas redes, com uma informação democrática, de verdade e plural, com o esclarecimento e a luta.



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