António Borges Coelho (1928/2025) nasceu em terras transmontanas de Murça. Será essa condição de transmontano que cedo o levará a percorrer a Lisboa salazarenta dos finais dos anos quarenta, vivendo em quartos de amigos e de bucha curta, que a mesada contada a tostões, mas seguro nos seus objectivos, entrando os portões da Faculdade de Direito com distinto acesso, seduzido pela política, revoltado com o País, verificando que a miséria era em Lisboa tão dura de tragar como no seu rincão serrano, O meu Peito é pedra de montanha/sou a montanha que voa/para o alto, para terra estranha/e do mundo para Lisboa.