Que força é essa?
Quem se dirigiu, na passada sexta-feira, a um serviço público (escolas, centros de saúde e hospitais, repartições de finanças, câmaras municipais, centros de atendimento da Segurança Social, tribunais,…) terá, com toda a probabilidade, encontrado esses serviços encerrados, devido a uma enorme adesão dos trabalhadores à greve convocada pela Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública e à greve dos médicos, convocada pela Federação Nacional dos Médicos.
Na comunicação social e nas redes sociais, a reacção dividiu-se, como habitualmente, entre o absoluto silenciamento até ao dia da luta, um certo espanto pela sua dimensão após a sua realização e, finalmente, pelo costumeiro preconceito contra quem não se resigna e luta pelos seus direitos.
Mas contra eles, contra o silenciamento, contra a menorização, contra o preconceito, centenas de milhares de trabalhadores decidiram abdicar de parte do seu já parco salário para exigir um salário digno e compatível com o custo de vida que não pára de aumentar, para reclamar a valorização das carreiras e o vínculo público, para clamar pelo fim do SIADAP; por melhores condições de trabalho, em defesa dos serviços públicos.
Que força é esta que faz com que, contra ventos e marés, assumam a sua dignidade de trabalhadores e se levantem contra uma política de acentuação da exploração de quem trabalha e produz a riqueza, ao serviço dos grandes grupos económicos?
Aqueles que se levantam todos os dias para varrer as ruas e recolher os lixos, que abrem escolas e garantem a educação das crianças, que fazem funcionar os hospitais e outras unidades de saúde, que asseguram obras e investimentos, que atendem os cidadãos nas suas múltiplas dimensões, não desistem de valorizar o serviço público, apesar da política de direita que o procura desmantelar.
Aqueles que têm enfrentado uma violenta campanha ideológica que, por sua via, procura atingir o Estado, o seu papel e funcionamento, que leva os auxiliares dessa política de direita a caricaturar o seu trabalho e a defender despedimentos arbitrários, não desistem de cumprir, com brio, as suas funções.
Esta é a força que todos conhecemos. A força de quem trabalha. A força de quem sabe que o País só funciona com o seu trabalho. A força que tem a memória colectiva de que todos os direitos foram conquistados pela luta e que foi a luta que impediu que os sucessivos governos tivessem já feito tábua rasa desses direitos. A força de quem, nos próximos meses, por muito que lhes doa, os poderosos vão continuar a ouvir falar.




