1593 – Nasce Georges de La Tour

Considerado como um representante do barroco francês, Georges de la Tour é um pintor do Ducado da Lorena que ficou famoso pelas suas pinturas representando cenas do quotidiano à luz das velas, num jogo de luz e de sombras que tornam os seus quadros verdadeiramente impressionantes. Admirador de Caravaggio e também do estilo dos pintores holandeses, Georges de la Tour, filho de padeiros, cedo ganhou boa reputação, o que lhe permitiu trabalhar para alguns dos maiores nomes da nobreza francesa, incluindo o Cardeal Richelieu e o próprio rei Luís XIII. A sua obra, que alguém designou como a «parte serena das trevas», caiu no esquecimento durante mais de dois séculos, mas foi redescoberta no século XX, inspirando mesmo poetas como René Char. Em Fureur et Mystère, publicado na colectânea Feuillets d'Hypnos (1946), Char fala da reprodução de um quadro de La Tour que tinha na sua sala de trabalho e a que ninguém ficava indiferente. O poeta exprime reconhecimento pela inesperada chama que ilumina «melhor do que qualquer amanhecer». Char, que viveu a resistência ao nazismo, vê no jogo de luz e sombras da obra do pintor um símbolo de esperança, de humanidade e diálogo que resiste à noite fascista. Essa luz, escreve, «dominou a escuridão de Hitler com um diálogo entre seres humanos».