Prémio Nobel da Guerra
Os EUA intensificam uma perigosa linha de ofensiva contra os povos da América Latina. O quadro é o da imposição recauchutada da tristemente célebre Doutrina Monroe, ciclicamente reinventada para sustentar a intervenção política, militar e golpista dos EUA na região. O “combate ao narcotráfico” serve mais uma vez de hipócrita capa para uma nova declaração de guerra contra os povos que afirmam a sua soberania e recusam submeter-se à condição de colónias dos EUA.
Num movimento militar quase inédito, os EUA deslocam poderosos meios militares para o Caribe. Mais de uma dezena de vasos de guerra, um submarino nuclear, meios aéreos poderosos, milhares de “marines”, plataformas navais de guerra poderosíssimas como o porta-aviões USS Gerald Ford ou o contratorpedeiro USS Gravely, são exemplos da dimensão da ameaça militar que pode ter como primeiro alvo a Venezuela. O facto de se contarem já em dez as embarcações abatidas pelos EUA e de a Venezuela ter desmantelado nos últimos dias três planos da CIA para operações de falsa bandeira que justificassem uma intervenção militar norte-americana, adensam todas as preocupações.
O grau de ameaça é tal que o presidente colombiano Gustavo Petro, que denunciou na Assembleia Geral da ONU a falsidade do “combate ao narcotráfico” dos EUA, foi inserido na lista de sanções dos EUA e a Colômbia alvo de ameaças de intervenção militar.
E como nas relações internacionais raramente há coincidências, tais desenvolvimentos ocorrem exactamente no mesmo período em que a golpista de extrema-direita Corina Machado, confessa apoiante do terrorismo golpista, defensora há mais de uma década de uma intervenção militar dos EUA na Venezuela, admiradora de Trump, de Netanyahu e do seu genocídio, foi nomeada Prémio Nobel da Paz.
O escândalo é tal que o Conselho da Paz Norueguês, composto por 17 organizações e responsável anualmente por organizar o tradicional cortejo com tochas em Oslo por ocasião da entrega do prémio, decidiu não o fazer este ano, considerando que «os seus métodos [de Corina Machado] não estão em consonância com os nossos princípios e valores (…) como a promoção do diálogo e de métodos não violentos». Foi a machadada final num Nobel que de Paz já tinha pouco ou nada e que agora poderá ficar para a História como o Nobel da guerra contra a América Latina.




