Assunto encerrado
Fernando Alexandre, o magarefe de turno ao serviço do capital na destruição da escola pública, empenhado que está no velhíssimo projecto de pôr os estudantes e as suas famílias a pagar totalmente a educação (agora nos mais elevados níveis, mas a abrir o caminho para o estender aos outros níveis da escolaridade), veio esta semana dizer que isso de «aumentar as propinas é assunto encerrado».
Cheio de bons conselhos aos estudantes, procura desviar as atenções dessa questão central – a de assegurar a todos o direito constitucional à educação – e até incentiva à luta por aquilo que «verdadeiramente importa, que é a Acção Social», porque fica sempre bem ter uns pobrezinhos no Ensino Superior para mostrar, mas relativamente à qual o seu Governo não tem qualquer medida de fundo na proposta de Orçamento do Estado actualmente em debate.
Cheio de certezas e prosápias, fazendo de contas que não sabe que a força das massas em movimento acaba por ser sempre mais forte, mais cedo ou mais tarde, do que as declarações tonitruantes de ministros e outros serventuários, declarou, urbi et orbi, como tantos outros antes dele, e depois de já ter arrumado anteriormente com a aura dos professores que fazem greves, a inutilidade da luta.
Fernando Alexandre faz-me lembrar os velhos sábios do poema de Gedeão. Os tais “doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo/ que, assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços, [mal sabiam que] andavam a correr e a rolar pelos espaços/ à razão de trinta quilómetros por segundo”, jurando eles próprios e forçando outras a jurar, que a Terra não girava à volta do Sol.
E que, tal como eles, “do alto inacessível das suas alturas”, o agora ministro de serviço, mais cedo que tarde, há-de cair, cair, cair, cair, cair “sempre, e sempre,/ ininterruptamente/, na razão directa dos quadrados dos tempos”.
Daqui, do nosso humilde ponto de vista, sempre lhe diremos que, quer ele queira, quer não, a luta vai continuar e, como ontem se derrotaram outros Adamastores, as propinas também serão derrotadas. Assunto encerrado!




