Expressa cegueira

Jorge Cordeiro

Daniel Oliveira (DO) voltou. Seja para mostrar serviço, seja por compulsão ideológica. O anticomunismo cega-o. Centrado na leitura do resultado das eleições autárquicas procura fazer o que os resultados não fizeram, ou seja reduzir a pó, como ambicionaria, o PCP. O que o texto no Expresso revela para lá catilinária anticomunista é que não percebe nada do que são eleições locais e desconsidera em absoluto as condições políticas em que elas são construídas.

Desconsidera a dinâmica especificas a elas associadas, seja a dos candidatos em presença, o trabalho realizado, a arrumação de forças em presença. E não atinge a dimensão induzida pelo quadro político, social e ideológico porque não sendo marxista não o consegue alcançar e, sobretudo, porque integra o caudal de produção ideológica dominante que visa atingir o PCP e as perspectivas de uma verdadeira alternativa. Donde o seu texto, para lá da verborreia anticomunista, deve ser reduzido à reduzida (passe a redundância) credibilidade que exibe.

Falsifica conclusões, insinua uma relação entre votação da CDU e do Chega que nenhum resultado autoriza e que a realidade desmente (a CDU foi a única força que não perdeu qualquer município para aquela força). Registe-se a irresistível adulação pelo Chega que ali se verte numa mais que implícita valorização do seus resultados como, ainda, o confessado lamento por esse partido reaccionário «esbarrar com falta de quadros e implantação», porque então é que era derreter o PCP. DO imagina que pode colocar o PCP na posição de capacho das ambições eleitorais do PS a que outros se dispõe.

Persiste na responsabilização de terceiros sobre a vitória de Moedas quando devia obter a resposta em si próprio e na corte dos que se dedicaram a atacar o PCP em vez de se concentrar em Moedas. Inconsolado com o insucesso da chamada “frente”, de facto mera fachada da candidatura do PS. A sua cegueira não lhe permite ver que aquele ajuntamento sai das eleições com menos 12 mil votos dos que tinha obtido em 2021, concluindo que o que faltou foram os votos da CDU.

Se ainda não percebeu, o PCP não é força de reserva de projectos e ambições do PS, esse PS que se coligou com PSD em Santiago do Cacém, esse PS que nas vésperas do dia 12 se confessou disponível para partilhar a cama orçamental do governo PSD/CDS. O PCP é espaço de convergência, como as candidaturas da CDU mostraram, sem prescindir da sua afirmação, identidade e o projecto próprios.

 



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