Manifestação Nacional de Mulheres no dia 8 de Março

O Dia Internacional da Mulher, 8 de Março,será assinalado em Lisboa com uma Manifestação Nacional de Mulheres, às 14h30, entre aspraças dos Restauradores e do Município, sob o lema «Luta que une, força que transforma».

 

MDM assinala 50 anos da primeira comemoração do 8 de Março em liberdade

Para o próximo sábado, 8, foram ainda anunciadas pelo Movimento Democrático de Mulheres (MDM) acções em Aveiro (14h30, Av. Dr. Lourenço Peixinho – CP), Beja (14h30, Casa da Cultura), Braga (14h30, Praça da República – Arcada), Bragança/Mirandela (14h30, Parque Luciano Cordeiro), Coimbra (14h30, Praça Princesa Cindazunda), Évora (14h30, Praça do Giraldo), Guarda (15h00, Jardim José Lemos), Leiria (15h00, Largo Goa, Damão e Diu), Portalegre (10h30, Mercado Municipal), Porto (15h00, Praça da Batalha), Santarém/Torres Novas (14h30, Largo das Forças Armadas), Viana do Castelo (15h00, Praça da República), Viseu (14h30, Largo de Santa Cristina – Rossio), Castelo Branco/Covilhã (21h30, Mapa Mundi do Pelourinho e na Rua do Norte, às 23h00 ), Faro (17h00, concentração na rampa do Teatro das Figuras e espectáculo às 18h00), Setúbal (9h00, caminhada com partida da Junta de Freguesia de S. Sebastião ou Polo da Anunciada da UF de Setúbal) e Santiago do Cacém (10h00, estádio Municipal Miróbriga).

Entretanto, mulheres de diversas áreas, profissões, actividades, sectores da sociedade, apelaram à participação na Manifestação que decorrerá em Lisboa. Este será, segundo o MDM, «um momento alto de convergência de muitas mulheres, em diversos distritos, onde estarão presentes e visíveis diversas expressões da participação e movimentação de mulheres num compromisso alargado e comum de acção reivindicativa por uma sociedade onde a igualdade e a participação sejam vividas plenamente, os direitos respeitados, a justiça social e a paz uma realidade».

Despenalização da IVG
Num comunicado divulgado no passado dia 11, o MDM recorda que a «despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) foi há 18 anos» e que este é «um direito a defender para não voltar atrás!», que resultou de «um referendo que decidiu pela despenalização do aborto até às 10 semanas, por opção da mulher».

«As forças políticas e sociais mais conservadoras nunca aceitaram que as mulheres tivessem alcançado o direito a optar e, mesmo com a vitória do “Sim” no referendo de 2007, tudo têm feito para travar, dificultar o acesso ou recuar no que se refere à IVG», denuncia o movimento. Críticas que se estenderam aos «obstáculos»no acesso à IVG, primeiro em 2015 e, depois, em Janeiro de 2025, quando estiveram em discussão projectos – por via de um agendamento suscitado pelo PS – que «se tivessem sido aprovados teriam representado gravíssimos retrocessos no tocante aos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e ao direito a optar, por parte da mulher».

Crescentes dificuldades
O MDM fala ainda de «crescentes dificuldades» no acesso à IVG no Serviço Nacional de Saúde (SNS) «em quase todo o território nacional». As causas são conhecidas e resultam de um «desinvestimento continuado» no SNS, sendo notória a falta de médicos e enfermeiros, nomeadamente na especialidade ginecologia/obstetrícia e de médicos e de família nos Cuidados de Saúde Primários. Por outro lado, das 42 entidades hospitalares elegíveis para a realização de IVG, apenas 27 realizam IVG; dos 55 agrupamentos de centros de saúde apenas cinco realizam consulta prévia e nenhuma realizava IVG; apenas 13 por cento dos especialistas de ginecologia e e obstetrícia realizam IVG no SNS.

Dá também conta da inexistência de uma sistematização processual relativa aos objectores de consciência, tanto no SNS como no sector privado, desconhecendo-se o seu real número e efeitos directos no acesso à IVG, assim como de unidade de saúde(hospitalares e de cuidados de saúde primários) sem procedimentos internos ou protocolos de articulação quer realizem ou não IVG.

Por último, o movimento refere a «escassa» e, por vezes, «inadequada» formação dos profissionais e de alunos de medicina e enfermagem.

 

MDM apela à mobilização colectiva

# Pelo fim da precariedade laboral, desregulação dos horários de trabalho e o trabalho por turnos, que impedem a conciliação entre a vida profissional e familiar;

# Pelo cumprimento dos direitos sexuais e reprodutivos, pelo respeito dos direitos da maternidade e paternidade, pelos direitos das crianças a um desenvolvimento integral;

# Por serviços públicos de qualidade e proximidade na saúde, educação, justiça e apoio às vítimas de violência doméstica;

# Pelo combate a todas as formas de violência e exploração do corpo das mulheres e raparigas, incluindo na prostituição. Combater a normalização da prostituição e da pornografia. Recusar a ideia da prostituição como trabalho sexual, bem como aceitar os proxenetas como agentes económicos e os prostituidores como «clientes»;

# Pela denuncia das mentalidades sexistas, xenófobas e misóginas e pela eliminação de preconceitos, estereótipos, estigmas, discriminações e desigualdades que germinam na sociedade mediática com facetas subliminares de desrespeito pelas mulheres e pelo género humano.

 



Mais artigos de: Nacional

Até a Palestina ser livre a solidariedade continua

Duas concentrações, realizadas no dia 18 em Lisboa e no Porto, exigiram um cessar-fogo permanente na Faixa de Gaza, o fim da ocupação da Palestina e a paz no Médio Oriente. A 30 de Março, Dia da Terra Palestiniana, haverá novas acções.

Municípios da Península da Setúbal contestam tarifas insuportáveis da AMARSUL

A Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS) apresentou, no passado dia 10, ao secretário de Estado do Ambiente as conclusões de um estudo, por si desenvolvido, sobre a estrutura de custos e tarifas da AMARSUL, Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos S.A., que consideram ser «insuportável para os...

Vereadores do PCP denunciam falta de investimento na educação em Lisboa

Na passada semana, os vereadores do PCP, João Ferreira e Ana Jara, alertaram para a falta de investimento na educação por parte do executivo de Carlos Moedas, que, na prática, tem contribuído para uma maior degradação do parque escolar da cidade de Lisboa. Segundo os comunistas, são vários os equipamentos educativos que...

Esgoto corre no Bairro do Marquês de Abrantes

No sábado, 21, eleitos e activistas da CDU visitaram o Bairro Marquês de Abrantes, em Marvila, Lisboa, onde continua a correr um esgoto para a via pública. Os moradores deram ainda conta de outros problemas, como os elevadores avariados, inúmeras infiltrações, humidades em várias divisões e...

Repúdio por intervenção na AR

A Associação Portuguesa de Deficientes (APD) condenou os «graves incidentes» ocorridos, dia 13 de Fevereiro, na Assembleia da República (AR), quando um deputado do Chega insultou a deputada Ana Sofia Antunes, pessoa com deficiência visual, através de comentários e afirmações indecentes. «Manifestamos a nossa...

Santarém visita Museu Nacional Resistência e Liberdade

No sábado, 1 de Março, o Museu Nacional Resistência e Liberdade, localizado na Fortaleza de Peniche, recebe a visita de um vasto conjunto de instituições de Santarém, como o Centro Cultural Regional, a União de Resistentes Antifascistas Portugueses, a Associação das Comemorações do 25 de Abril e a Santarém Cultura. Além...