É urgente uma solução de paz no Leste da Europa

A solução para o conflito que se trava na Ucrânia entre os EUA, a NATO e a UE, por um lado, e a Rússia, por outro, passa necessariamente pela resposta às suas causas, desde logo pelo assegurar da segurança colectiva no continente europeu – do Atlântico aos Urais –, levando em conta as legítimas aspirações à segurança por parte de todos os Estados.

Por mais que haja quem insista em omitir as causas do conflito, reduzindo-o a «três anos de guerra», como faz a UE, este tem raízes mais fundas

Assinala-se por estes dias 11 anos sobre o início da guerra na Ucrânia, desencadeada na sequência do golpe de Estado de 22 de Fevereiro de 2014 – promovido pelos EUA e a UE, com o recurso a grupos fascistas, e que impôs um poder xenófobo e belicista – e do violento ataque às populações russófonas e às forças democráticas ucranianas, que se lhe seguiu. Guerra esta que conheceu um novo agravamento oito anos depois (após a tomada de posse da administração Biden, em Janeiro de 2021, e a sua aposta no recrudescimento do conflito), com a intervenção militar da Rússia em 24 de Fevereiro de 2022.

As recentes posições assumidas pela nova administração dos EUA – que, como afirmou, na Conferência de Segurança de Munique, o vice-presidente JD Vance, pretende concentrar-se «noutras regiões do mundo» – vieram abrir a porta a uma eventual negociação política do conflito, provocando divergências entre as potências imperialistas no seio da NATO, com as que integram a UE e o Reino Unido a (de novo) insistirem no prolongamento da guerra e os EUA a afirmarem a necessidade de um cessar-fogo com vista à resolução do «problema».

Posição diferenciada tem a Rússia, para quem o mero cessar-fogo sem uma solução duradoura é, na sua consideração, uma via que levará ao rápido recomeçar das hostilidades e ao reacender do conflito com consequências mais graves, como afirmou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Riabkov, numa entrevista à agência de notícias Sputnik, no dia 24. O governante garantiu que o seu país está aberto a uma solução que tenha em conta o equilíbrio de interesses, instando à busca de uma solução duradoura que inclua a eliminação obrigatória das causas primárias do conflito: a expansão da NATO, o golpe de Estado na Ucrânia em 2014 e a renúncia dos países ocidentais ao cumprimento dos Acordos de Minsk.

Disponibilidade para negociar

Respondendo às pressões vindas dos EUA e da UE, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguéi Lavrov, afirmou que o seu país só cessará as operações militares quando as negociações derem «resultados sólidos». As declarações foram feitas em Ancara, na segunda-feira, 24, onde o chefe da diplomacia russa se reuniu com o seu homólogo turco, Hakan Fidan, e foi recebido pelo presidente Recep Erdogan.

Lavrov enfatizou que, para alcançar uma solução negociada, se deve ter em conta, entre outros aspectos, a realidade no terreno e a opinião dos habitantes das regiões da Crimeia, Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporozhie, insistindo em que os eventuais acordos devem dar garantias sólidas de que a Ucrânia não se integrará na NATO. Lavrov considerou que os acordos de Istambul de 2022 poderiam ser a base para uma negociação com vista a terminar o conflito. E lembrou que a Rússia e a Ucrânia estiveram nesse momento a um passo da assinatura de um acordo integral, redigido tendo em conta os princípios e preocupações dos ucranianos, mas que Boris Johnson, então primeiro-ministro do Reino Unido, «proibiu Kiev de o fazer».

Causas do conflito

Por mais que haja quem insista em omitir as causas do conflito, reduzindo-o a «três anos de guerra», como faz a União Europeia, é inegável que este tem raízes mais fundas. Radica, desde logo e entre outros aspectos: em décadas de incessantes alargamentos da NATO para o Leste da Europa, desrespeitando compromissos anteriormente assumidos; no avanço da infra-estrutura militar da NATO, incluindo sistemas míssil e contingentes militares, em países do Leste da Europa; ou na sucessiva retirada unilateral dos EUA de tratados e acordos de desarmamento e desanuviamento (como o Tratado sobre Mísseis Antibalísticos, o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio e o Tratado sobre o Regime de Céu Aberto).

O golpe de Estado na Ucrânia em 2014 precipitou os acontecimentos, inserindo violentamente este país na estratégia de confrontação e guerra dos EUA/NATO/UE contra a Rússia, desencadeando a guerra na Ucrânia. As reiteradas afirmações para uma entrada rápida da Ucrânia na NATO, a intenção manifestada por Zelensky, na Conferência de Segurança de Munique, de 2022, de dotar a Ucrânia de armas nucleares, o deliberado boicote dos acordos de Minsk e a aposta na solução militar do conflito, com o exponencial aumento de ataques ao Donbass, provocaram o agravamento do conflito em 2022.

 



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