Graves limitações no acesso das grávidas
O PCP considera «inaceitável» que as grávidas tenham de ligar para a Linha SNS Grávida antes de recorrerem à urgência hospitalar de Obstetrícia e Ginecologia. Cresce a indignação contra a medida do Governo PSD/CDS.
Governo quer reduzir o acesso ao SNS
O novo modelo das urgências arrancou na segunda-feira. Em nota divulgada no início da semana, o Partido considera «inaceitável» a decisão de «limitação do acesso das mulheres grávidas aos hospitais públicos decidida pelo Governo», concretizada «sem preparação» com uma Portaria publicada na sexta-feira, 13.
Ao contrário do que diz o Governo, «não é o acesso das grávidas às urgências que provoca a ruptura das equipas, mas sim a continuada diminuição de profissionais especialistas nesta área, devido à degradação das suas condições de remuneração e de trabalho», sublinham os comunistas. Da mesma forma, «o que provoca um maior afluxo às urgências não é a ausência de controlo limitativo de acesso, mas sim a carência nos cuidados de saúde primários, seja em médicos e enfermeiros de família, seja em atendimentos permanentes ou alargados», acrescentam.
Graves carências
Adecisão atinge particularmente a região de Lisboa e Vale do Tejo, com graves carências na resposta às grávidas. «É uma medida que nem sequer garante que a triagem telefónica seja sempre feita por um especialista em obstetrícia e que avançou sem que estejam asseguradas as consultas abertas em obstetrícia/ginecologia nos hospitais abrangidos, que a Portaria define como necessárias», esclarece o PCP, frisando que a existência de uma linha telefónica de apoio à triagem «pode ser um instrumento útil no contacto com as utentes», mas não pode «ser transformada num obstáculo restritivo do acesso aos serviços hospitalares, o que é de resto ilegal».
Só na segunda-feira, foram noticiadas muitas dificuldades no atendimento telefónico. «Esta imposição vai diminuir a segurança das mulheres grávidas, empurrando as que tiverem condições financeiras para o sector privado e deixando as restantes, que são a maioria, desprotegidas», alerta o Partido.
SNS mais atractivo
Reafirmando que «só com a melhoria das condições dos profissionais de saúde se pode resolver a questão do acesso aos cuidados e que o Governo não tem qualquer intenção de avançar nesse sentido», o PCP exige, por isso, «a melhoria das remunerações e das carreiras dos profissionais de saúde para garantir uma melhor resposta nos cuidados de saúde primários e hospitais, incluindo a opção por um regime de dedicação exclusiva», de forma a garantir «um SNS mais atractivo, capaz de reter os seus actuais profissionais, atrair os recém formados e recuperar muitos dos que entretanto saíram para o sector privado».
Loures
Os eleitos da CDU nos órgãos autárquicos de Loures criticaram o «cúmplice silêncio» da maioria PS/PSD na Câmara Municipal (CM) sobre esta medida que abrange os serviços do Hospital Beatriz Ângelo (HBA). «Já vai longe a promessa do presidente da CM, Ricardo Leão, que tinha a garantia do governo PS que os serviços de urgência do HBA regressariam ao funcionamento pleno no mês seguinte ao seu “encerramento provisório” em Março de 2023. Foi-se a promessa e foi-se a prontidão», acusa a CDU.
MDM
O Movimento Democrático de Mulheres apela às mulheres que exijam o atendimento, independentemente das circunstâncias. Aos profissionais de saúde pede-se que «não neguem o atendimento, mesmo sem indicação do SNS 24».
CGTP-IN
A Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens/CGTP-IN considera que este «projecto-piloto» de pré-triagem telefónica obrigatória das mulheres grávidas «vem acrescentar constrangimentos e bloqueios aos problemas que já existiam, colocando em risco a saúde materno-infantil».