Financiar a indústria da guerra
Passaram incólumes e sem qualquer reparo crítico do chefe do Governo – depreendendo-se, por conseguinte, que são por si assumidas como normais - as recentes declarações do Secretário-Geral da NATO em que defendeu que uma parte do dinheiro público afecto à saúde e às pensões e reformas seja desviado para a indústria da guerra. Luís Montenegro anuiu mesmo à ideia de que é necessário proceder a um reforço das verbas destinadas a esse fim, para «salvaguarda da nossa integridade territorial, segurança e interesses espalhados por todo o mundo» e para «estar à altura da nossa responsabilidade».
«Em que áreas públicas é que vai cortar ou deixar de investir para transferir mais recursos e meios que fazem falta ao País, incluindo na defesa nacional, para os interesses das corporações da indústria do armamento, da destruição e da morte?», questionara o Secretário-Geral do PCP, num desafio directo ao primeiro-ministro para que esclarecesse a sua posição sobre esse perigoso propósito anunciado por Mark Rutte.
Embora tenha descartado que esse reforço para a indústria da guerra seja feito à custa do corte «em serviços públicos essenciais», Luís Montenegro foi categórico na insistência de que «precisamos de investir mais na política de defesa nos próximos anos».
Então de onde virá o dinheiro?, perguntar-se-á. De uma «melhor gestão em todos os serviços da administração pública», afirmou o primeiro-ministro, numa explicação que, de tão pueril e inverosímil, se anulava por absoluta incredibilidade.
Daí Paulo Raimundo ter concluído que o Governo vai, «mais uma vez, respeitar e submeter-se aos interesses da NATO».