Um Partido forte para o presente e o futuro

João Dias Coelho (Membro da Comissão Política)

Quando tudo pa­rece im­pos­sível, a vida prova que re­a­li­dade pode ser trans­for­mada

Com 103 anos de vida e de luta ao ser­viço do povo e do País, o Par­tido Co­mu­nista Por­tu­guês, or­gulha-se do seu pas­sado e en­frenta o pre­sente e o fu­turo com con­fi­ança e de­ter­mi­nação – certo de que a sua força re­side na pro­funda li­gação aos tra­ba­lha­dores e às massas po­pu­lares. Como afirmou Álvaro Cu­nhal, em O caminho para o der­ru­ba­mento do fas­cismo, «sai­bamos, pois, ser atentos à re­a­li­dade e à vida, sai­bamos ligar toda a nossa acção às ne­ces­si­dades e as­pi­ra­ções das massas po­pu­lares».

Na ver­dade, a luta dos tra­ba­lha­dores e do povo en­sina-nos que um Par­tido forte e pro­fun­da­mente li­gado à vida, com or­ga­ni­zação e in­ter­venção na classe ope­rária, nos tra­ba­lha­dores e no povo, in­di­cando o ca­minho da luta e da uni­dade dos de­mo­cratas e pa­tri­otas, é a via mais se­gura para a su­pe­ração das in­jus­tiças e a cons­trução de uma po­lí­tica al­ter­na­tiva e uma al­ter­na­tiva po­lí­tica, parte in­te­grante da luta pela de­mo­cracia avan­çada e por uma so­ci­e­dade mais justa.

O ca­minho não é fácil, mas nunca o foi. As forças do ca­pital contam com enormes re­cursos. Os ideó­logos bur­gueses e a imen­sidão de ser­ven­tuá­rios ao seu ser­viço lançam mão do an­ti­co­mu­nismo, in­ventam e des­vir­tuam factos, pro­curam minar a con­fi­ança das massas no Par­tido e jus­ti­ficar o poder do grande ca­pital, a ex­plo­ração dos tra­ba­lha­dores e a per­pe­tu­ação do sis­tema ca­pi­ta­lista. Ainda que tal não cons­titua nada de novo, a ver­dade é que os meios ao dispor da classe do­mi­nante são hoje mais so­fis­ti­cados.

Se, por um lado, im­porta não su­bes­timar esse facto, por outro cabe ao Par­tido, ao co­lec­tivo par­ti­dário, com­bater a men­tira, agir com base na ver­dade, expor a na­tu­reza pre­da­dora do sis­tema ca­pi­ta­lista e mo­bi­lizar os tra­ba­lha­dores e o povo para a luta pela re­so­lução dos seus pro­blemas e as­pi­ra­ções.

 

Tempos di­fí­ceis

Não ne­gamos que vi­vemos tempos muito di­fí­ceis em que, como é re­fe­rido nas Teses/ Pro­jecto de Re­so­lução Po­lí­tica do XXII Con­gresso, «o ac­tual quadro po­lí­tico é mar­cado por uma cres­cente in­fluência das forças po­lí­ticas de di­reita e com uma re­lação de forças no plano ins­ti­tu­ci­onal mais fa­vo­rável aos ob­jec­tivos do grande ca­pital». Na ver­dade, as forças que se opõem a Abril e que re­ju­bilam com o 25 de No­vembro contam com im­por­tantes meios po­lí­ticos, eco­nó­micos, de for­ma­tação e con­di­ci­o­na­mento da cons­ci­ência das massas, numa ope­ração de grande fô­lego que cria di­fi­cul­dades à apre­ensão, a uma es­cala de massas, da pos­si­bi­li­dade de su­pe­ração do ac­tual es­tado de coisas. Co­loca-se ainda o enorme de­safio de re­velar o ver­da­deiro papel de cada força po­lí­tica (o que são, o que de­fendem e querem, que in­te­resses re­pre­sentam), de in­tervir no sen­tido de, a partir do con­creto, elevar a cons­ci­ência po­lí­tica dos tra­ba­lha­dores e de­mons­trar que a so­lução para os seus pro­blemas re­side na rup­tura com a po­lí­tica de di­reita e com as forças que lhe dão ex­pressão.

As massas, com a sua enorme sa­be­doria e querer, têm uma força e ca­pa­ci­dade imensas de re­sis­tência e trans­for­mação. Assim foi com a Re­vo­lução de Abril, e assim é no já longo per­curso de re­sis­tência ao pro­cesso contra-re­vo­lu­ci­o­nário. Como toda a ex­pe­ri­ência his­tó­rica do mo­vi­mento ope­rário por­tu­guês de­monstra, e a Re­vo­lução de Abril con­firma, quando tudo pa­rece im­pos­sível a vida prova que re­a­li­dade pode ser trans­for­mada.

 

Lutar com ale­gria

É pre­ciso agir com ale­gria, von­tade, pa­ci­ência e per­sis­tência porque, co­nhe­cendo as di­fi­cul­dades, sa­bendo a força do ini­migo, com con­fi­ança no Par­tido e nas massas, na cer­teza que não es­tamos con­de­nados a su­cumbir à di­fícil si­tu­ação e aos pe­rigos com que es­tamos con­fron­tados, ul­tra­pas­sa­remos todos os obs­tá­culos. E sendo o Par­tido a pedra an­gular da re­sis­tência e dos avanços, é ne­ces­sário re­forçá-lo, acre­di­tando nas massas e na sua força trans­for­ma­dora.

É pre­ciso avançar com co­ragem e de­ter­mi­nação para en­frentar a brutal ofen­siva so­cial, po­lí­tica e ide­o­ló­gica, para re­forçar o Par­tido e a acção e mo­bi­li­zação dos tra­ba­lha­dores e do povo. Na cer­teza de que aquilo que de­ter­mi­nará as con­di­ções para a cons­trução da al­ter­na­tiva será o re­forço do Par­tido, a in­ten­si­fi­cação da luta de massas e o for­ta­le­ci­mento das suas or­ga­ni­za­ções, em par­ti­cular as or­ga­ni­za­ções de classe dos tra­ba­lha­dores, para que – como se afirma nas Teses – a luta atinja pa­ta­mares mais ele­vados.

Sim, como disse Álvaro Cu­nhal, «a ale­gria de viver e lutar vem-nos da pro­funda con­vicção de que é justa, em­pol­gante e in­ven­cível a causa por que lu­tamos».

 



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