Paz e Solidariedade!

Pedro Guerreiro

Dar mais força à luta pela paz e à solidariedade

Assume uma particular importância a realização da jornada nacional de solidariedade sob o lema «Palestina Livre! Paz no Médio Oriente», entre 2 e 12 de Outubro, em diversas localidades do País, destacando-se as grandes, impressivas e combativas manifestações que tiveram lugar em Lisboa e no Porto.

Uma jornada que tendo sido promovida pelo CPPC, CGTP-IN, MPPM e Projecto Ruído, dando continuidade a inúmeras iniciativas de solidariedade com o povo palestiniano e pela paz no Médio Oriente, contou com a adesão de dezenas de diversificadas organizações e entidades. Uma jornada a que sucede, já no imediato e entre muitas outras iniciativas, o Concerto pela Paz e de Solidariedade com a Palestina, no dia 26 de Outubro, sábado, pelas 16h00, no Fórum Lisboa.

A realização e o alcance desta jornada – para a participação na qual o PCP justa e empenhadamente apelou –, assume um maior significado perante a chocante e desabrida operação, promovida nos meios de comunicação social dominantes, de branqueamento das profundas responsabilidades e ocultação dos atrozes crimes de Israel, assim como da cumplicidade e do apoio com que conta por parte dos EUA, da UE e da NATO. Uma sistemática operação que, entre outros graves aspectos, procura fomentar a divisão, a desumanização, o ódio, banalizar a utilização da mais brutal violência, promover o conformismo perante a barbárie e o genocídio, ao mesmo tempo que esconde, trunca ou deturpa a justa e necessária expressão de indignação e rejeição, como discrimina os que a protagonizam e lhe criam espaço para se manifestar e ampliar de forma organizada.

No entanto, por mais que o procurem desvalorizar, o movimento pela paz e de solidariedade em Portugal continua a desenvolver a sua acção, promovendo os mais amplos espaços em defesa da paz e em solidariedade com os povos que resistem e lutam em prol dos seus direitos e aspirações, contra a guerra, o militarismo, o colonialismo, o imperialismo.

Na verdade, por muito que o tentem escamotear, seja na mais violenta negação dos direitos do povo palestiniano, seja nas agressões ao Líbano, à Síria ou ao Iémen, seja nas provocações ao Irão, podemos encontrar aqueles que estiveram nas guerras contra a Jugoslávia, o Afeganistão, o Iraque ou a Líbia, aqueles que levam a cabo a ingerência em países da América Latina e das Caraíbas, de África ou em qualquer outro continente, aqueles que apostaram e continuam a promover a confrontação e a guerra com a Rússia, não hesitando em usar a Ucrânia e o povo ucraniano como carne para canhão, aqueles que tudo fazem para levar o militarismo e a confrontação à Ásia-Pacífico, visando particularmente a China, mas também todos os outros povos desta região. No fundo, aqueles que fomentam o aumento das despesas militares, a escalada armamentista, os blocos político-militares, a ameaça do uso e o uso da força nas relações internacionais. Aqueles que impõem sanções e bloqueios afrontando o direito internacional. Aqueles que querem continuar a impor o seu domínio à custa dos direitos e da soberania dos povos.

Por isso, não confundimos nem branqueamos o inimigo principal e não somos caixa de ressonância das operações do imperialismo que procuram estigmatizar e isolar quem lhe resiste. Continuemos a intervir resolutamente e a dar mais força à luta pela paz e à solidariedade em Portugal e no mundo.



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