A questão central do Médio Oriente
Vai ou não o Médio Oriente incendiar-se?
Escrevemos (na segunda-feira, 30 de Setembro) numa situação internacional de desenvolvimentos imprevisíveis, nomeadamente no Médio Oriente. Será que Israel vai, como já anunciaram altas esferas militares, invadir o Líbano e tentar ocupar o sul do país como já fez no passado e faz nos montes Golã da Síria? As sucessivas provocações terroristas contra o Irão acabarão por resultar? Vai ou não o Médio Oriente incendiar-se, como pretende o governo sionista de Israel? Interrogações não faltam. Vamos ver. Mas vamos sobretudo dar ainda mais força à nossa condenação das ilegalidades e crimes praticados por Israel e à nossa solidariedade para com a justa causa nacional do povo palestiniano.
Perante a avalanche de acontecimentos e a sua manipulação mediática é necessário não perder de vista que a questão central do Médio Oriente é a questão palestiniana e que uma paz justa e duradoura na região implica reconhecer e assegurar o direito do povo palestiniano ao seu próprio Estado independente e soberano. E lembrar que Israel não só ocupa ilegalmente territórios (Gaza, Cisjordânia, Jerusalém Oriental) como proclama abertamente o objectivo do «Grande Israel», «do rio ao mar», negando um Estado palestiniano. É neste enquadramento de fanatismo de invocação bíblica («povo eleito», «terra prometida») que tem de considerar-se o genocídio que Israel está a praticar em Gaza e na Cisjordânia e a sua política de provocação terrorista contra forças políticas e Estados que são solidários com a causa palestiniana.
Tal é o caso do Irão, diabolizado e apontado por Israel (e pelos EUA) como o grande fautor de desestabilização na região. No seu insolente discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, Netanyahu sentiu-se suficientemente impune para afirmar desafiador que «não há nenhum sítio no Irão que o longo braço de Israel não possa alcançar e isso é verdade em todo o Médio Oriente». Perante afirmações tão ameaçadoras, há que lembrar que o Irão é de há muito diabolizado e apontado como inimigo a abater pelo imperialismo e pelo sionismo. Neste grande país herdeiro de uma civilização milenária teve lugar em 1979 uma revolução democrática, popular e anti-imperialista (posteriormente apropriada e desnaturada por um poder religioso), que pôs fim à feroz ditadura do Xá Pahlavi e com ela à principal base de agressão dos EUA contra a URSS, obrigando à retirada das forças militares e de espionagem norte-americana. A partir daí o Irão tem sido alvo permanente da hostilidade do imperialismo, suportou uma longa e mortífera guerra (1980/88) com o Iraque de Sadam Hussein, então grande amigo dos EUA, tem sofrido sucessivos pacotes de sanções a pretexto da sua política nuclear, apesar de ter subscrito acordos que foram posteriormente rompidos precisamente pelos EUA.
É este país que Israel (detentor da arma nuclear, o que os médias silenciam) constantemente provoca, com assassinatos de dirigentes e agressões no seu território, tentando arrastá-lo para um confronto com que julga poder salvar o regime sionista (e o próprio Netanyahu ) da sua inevitável derrocada.
Combatendo as campanhas que visam inverter responsabilidades e justificar os piores crimes do imperialismo e do sionismo, vamos dar mais força à solidariedade com o povo palestiniano e à luta pela paz no Médio Oriente. Vamos contribuir para que a Jornada Nacional de 2 a 12 de Outubro seja um grande êxito.