Boys do governo – ainda pior (!)

Carlos Gonçalves

O XXIV Governo constitucional, PSD-Montenegro, tomou posse há cinco meses e meio. Até ao fim da semana passado nomeou, sem concurso, para cargos de direcção, comissões de trabalho, gabinetes de ministros e afins, 872 boys, 800, se exceptuarmos os membros do Governo. É um número expressivo, se tivermos presente que nas nomeações dos últimos governos se tem verificado a continuidade de muitos boys do governo anterior, confirmando o acordo PS/PSD (e CDS/PP) a este respeito, aliás em vigor.

Comparando com o anterior governo PS, que nomeou 1050 boys em vinte e um meses, até Dezembro de 2023 – embora o PS governasse no período anterior –, é clara a perspectiva do triplo de nomeados pelo PSD, cada vez pior! Esta escalada poderia superar os 10000 boys dos governos PSD/Cavaco em dez anos e até os 12000 dos governos PS/Guterres em sete anos. Mas este governo será despedido mais cedo.

Muitos boys & girls de nomeação «apenas» política integram articulações centrais deste governo PSD, na dependência do primeiro-ministro e do seu núcleo político, à semelhança do governo PS/Costa. Apesar das falsas promessas do “no jobs for the boys“, são dezenas de assessores de comunicação, mais que na área das finanças, da casta de nomeados do bloco central dito “tecnocrático”, com um invejável perfil académico – marketing, tecnologia, relações internacionais –, de Universidades privadas e estrangeiras – Oxford, Harvard –, ligações a multinacionais, grandes média, redes sociais, fundações, obediências, e no que importa às políticas de direita de PS/PSD/CDS/IL/Ch, prontos para circular entre os vários governos, em que PS e PSD se alinham ou revezam para fazer no essencial a mesma política, ou para as “portas giratórias” dos grandes interesses.

Faltam ao povo e ao País milhares de médicos, enfermeiros, professores e outros profissionais dos serviços públicos e funções do Estado, mas com esta política isso não é para resolver. O que importa ao PSD é o seu projecto neoliberal e o serviço ao capital financeiro, as clientelas e a multidão de «comissários políticos» em assalto ao aparelho de Estado, mesmo onde ainda preparam a ofensiva – na Justiça, forças e serviços de segurança –, para subverter anda mais a democracia.

Importa a denúncia e o combate.



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