Material escolar
A aproximação do ano lectivo leva a que muitas famílias com filhos em idade escolar comecem a tratar do regresso às aulas. A compra do material escolar assume um peso grande, sobretudo financeiro.
A SIC fez um cálculo ao gasto de um cabaz de material escolar básico: 70 euros. Sem livros, porque desde o ano lectivo de 2018/19 que os manuais escolares são gratuitos, por proposta e luta do PCP. Nesse primeiro ano de gratuitidade, foram abrangidas as crianças do 1.º ao 6.º anos, tendo sido progressivamente alargado ao restante ensino obrigatório. O que significa que um miúdo que tenha entrado nesse ano para a escola teve sempre manuais gratuitos, chega este ano ao 7.º e teria pago mais de 250 euros, só em manuais. É uma enorme poupança, num caminho de universalidade e gratuitidade da educação que importa aprofundar.
De fora da gratuitidade ficaram os livros de fichas e exercícios, que em muitas escolas os professores não pedem, mas que no 1.º ciclo são indispensáveis e implicam uma despesa na ordem dos 30/40 euros por ano. Nos ciclos seguintes e no secundário, já falamos de valores acima dos 150 euros. O PCP tem proposto sucessivamente na Assembleia da República que a gratuitidade seja alargada aos livros de fichas, encontrando nos partidos do costume uma barreira.
É fácil chegar aos tais 70 euros que a SIC calcula ser o básico. Para os menos familiarizados com estas compras, recomenda-se que espreitem quanto custa cada caderno da próxima vez que forem ao supermercado. Não é preciso ser de marca nem da moda. E para continuar o exercício, experimentem comprar tudo o que vem na lista da escola com os 16 euros que a Acção Social Escolar dá aos miúdos com escalão A, das famílias com mais baixos rendimentos. 16 euros, essa fortuna. Há muito por fazer e lutar para garantir que a escola pública é mesmo gratuita, de qualidade e inclusiva.