Rankings
Pelo 23.º ano consecutivo, foram publicados os rankings das escolas, tendo por base as notas dos estudantes no final do Básico e do Secundário. A mensagem principal que se quer passar é só uma: o ensino privado é melhor do que a escola pública.
Essa linha é clara nos títulos e aberturas de noticiários: «o ensino privado volta a dominar o ranking», «os primeiros dez lugares são todos ocupados por escolas privadas», «melhor pública aparece muito abaixo», «as melhores escolas e as melhores médias nos exames».
Além do PCP, que fez esta semana uma importante declaração sobre o que é necessário transformar na educação em Portugal, outras vozes se ouviram criticando os rankings. «Educar é muito mais do que treinar alunos para fazer exames», denunciou a FENPROF, assinalando as diferenças sociais e económicas dos estudantes do privado e do público, determinantes no sucesso escolar, mas também o facto de muitas escolas privadas afastarem os alunos com mais dificuldades, ao passo que na escola pública cabem todos.
Mais discreta passou outra notícia, da Rádio Renascença: «em mais de 30 mil avaliações finais, colégios só deram 38 negativas, quando (…) chegaram aos exames nacionais, quase cinco mil foram chumbados. As dez escolas com maiores diferenças entre notas de exames e média interna são privadas. Nos colégios, as notas mais dadas no final do ano lectivo foram o 19 e o 20.»
Quem tanto fala de excelência e meritocracia devia comentar esta parte também. E já agora, que explicasse porque é que todos os estudos mostram que os estudantes das escolas públicas têm melhores resultados quando chegam ao Ensino Superior. A escola pública é na verdade uma grande realização do nosso país de Abril, que deve ser defendida e melhorada todos os dias.