Nunca desistir da luta pela verdade

Albano Nunes

Lutar pelo desarmamento, a dissolução da NATO e a paz

É inevitável. Passado o choque de terrorismo ideológico que nega qualquer nesga de espaço à razão e à verdade, como sempre aconteceu quando o imperialismo desencadeou criminosas operações de agressão e ocupação (como no Vietname, em Cuba, no Iraque, na Jugoslávia, na Líbia, ou na Síria), vão rompendo na comunicação social vozes incómodas vindas mesmo de dentro do próprio sistema.

Isso é notório na denúncia da cumplicidade dos EUA no genocídio praticado pelo sionismo em Gaza e é também já evidente em relação à guerra no leste da Europa em que a dura luta pela verdade foi fazendo o seu caminho e o PCP está cada vez menos isolado na corajosa posição que, desde o primeiro momento, adoptou ao apontar frontalmente as responsabilidades dos EUA, da NATO e das grandes potências da UE numa guerra que podia e devia ter sido evitada e à qual é urgente pôr termo.

Claro que mesmo num quadro de férrea censura e de violência anticomunista como aquele que o PCP teve (e ainda tem) de enfrentar, tarde ou cedo a luta pela verdade acaba por triunfar. Os factos são realmente teimosos. Mesmo na comunicação social dos monopólios surgem peças jornalísticas que fogem ao controlo dos guardiões do pensamento único.

Tal é o caso da entrevista de Jeffrey Sachs ao Público de 16.06.24, onde este reputado economista liberal (lembrar o sua participação como conselheiro dos homens de Iéltsin no processo de destruição da URSS) faz afirmações demolidoras em relação à política externa norte-americana. Diz ele que «os EUA não são uma força para o bem neste mundo, porque estão demasiado orientados para o poder e isto é importante que as pessoas compreendam» e, com abundantes exemplos concretos, denuncia uma estratégia suportada por 800 bases militares no estrangeiro e, uma após outra, pela multiplicação de ingerências, agressões e focos de tensão, política de que a Ucrânia desde há muito é vítima. É neste contexto que tem particular significado o que afirma em relação às causas da perigosíssima situação no Leste da Europa: «A NATO deve declarar que não irá para a Ucrânia. Esta tem sido a causa da guerra desde sempre. Putin já afirmou que se garantirem isso a guerra acaba»; «Os líderes europeus na NATO têm de dizer aos EUA: isto é a Europa, queremos paz aqui. A Ucrânia pode ser neutral. Toda a vossa ideia de expandir a NATO até à fronteira russa foi imprudente, parem de jogar com as vidas dos ucranianos»; « A guerra na Ucrânia dura há dez anos, desde o golpe de Maidan, e poderia terminar hoje, se parassem o alargamento da NATO».

Sim, a guerra na Ucrânia podia e devia ter sido evitada e e a paz justa e duradoura por que lutamos exige reconhecer, como Jeffrey Sachs reconhece, que a origem do conflito reside na estratégia de poder dos EUA. Estratégia que continua a ser instigada pelos falcões do Pentágono e da UE e que poderá vir a ter na próxima Cimeira da NATO em Washington, comemorativa do 75.º aniversário desta aliança agressiva, desenvolvimentos particularmente graves que é necessário denunciar e combater. É necessário agir para tornar a luta pelo desarmamento, pela dissolução da NATO, pela paz, num movimento poderoso capaz de fazer recuar o imperialismo na sua demencial escalada de confrontação e de guerra.

 



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