A paz com quem?
Mariana Mortágua, numa das acções da campanha do BE ao Parlamento Europeu, quis desmentir a afirmação do presidente da IL de que aquela força quereria «uma paz negociada com a Rússia».
A dirigente bloquista quis ser muito clara. O BE nunca defendeu «uma paz negociada com a Rússia». Antes pelo contrário.
Ouvindo isto, imagina-se que o BE esteja muito satisfeito com os resultados da Cimeira de Paz, realizada este fim-de-semana na Suíça, em que para além do natural papel da Ucrânia, todo o destaque foi dado a três outros intervenientes na guerra, EUA, NATO e UE, e da qual, no fundamental, para além da reafirmação dos apoios ao continuar da guerra, designadamente pela eminência do envio de aviões para a prolongar, resultou uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.
Mas se não se negoceia a paz com a Rússia, negoceia-se com quem? De que serve um monólogo que exclui um dos principais contendores? Se se exclui uma das partes, não quer isso dizer que se pensa que se pode conseguir a sua capitulação ou uma vitória militar sobre ela?
Ora, se as questões que se colocam são simples, as respostas são mais complicadas e ficam ainda mais distantes quando se percebe que as luzes do espectáculo montado nos Alpes servem para pouco mais que esconder caminhos que a humanidade vem rejeitando crescentemente.
No dia seguinte ao cair do pano daquele desfilar de vaidades, apesar do Presidente da República Portuguesa sentenciar o sucesso da Cimeira, a dura realidade impõe-se: a guerra que nunca devia ter começado prossegue, as bombas voltam a rebentar, continuam as mortes, a destruição, o desespero das populações.
É nestas alturas que confirmamos a irrepreensível posição de defesa da paz assumida desde sempre pelo PCP, que, por exemplo, em Setembro de 2022, assumia na reunião do seu Comité Central que «é urgente que os EUA, a NATO e a UE cessem de instigar e alimentar a guerra na Ucrânia e que se abram vias de negociação com os demais intervenientes, nomeadamente a Federação Russa, visando alcançar uma solução política, a resposta aos problemas de segurança colectiva e do desarmamento na Europa, o cumprimento dos princípios da Carta da ONU e da Acta Final da Conferência de Helsínquia».
Mas disto eles não querem mesmo falar.