De Itália para a Suíça – as razões de um fracasso
A «Cimeira sobre a Paz na Ucrânia» suscita, no mínimo, um questionamento sobre os seus proclamados objectivos e resultados. Dos 160 países convidados, cerca de 70 recusaram o convite para participar. Um dos principais intervenientes no conflito, a Federação Russa, não foi convidado. Grandes países como o Brasil, Angola, Moçambique, República Popular da China recusaram o convite por consideraram que tal cimeira não correspondia à fórmula necessária para uma real negociação.
O conteúdo do comunicado final, limitado e unilateral, e o facto de 12 Estados participantes se terem abstido de o assinar adensam as dúvidas sobre a real preponderância, objectivos e sucesso desta Cimeira. Se tivermos em conta que Índia, Arábia Saudita, México, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Tailândia, Arménia, Bahrein, Colômbia, Indonésia, Jordânia e Líbia não assinaram o comunicado final, tais dúvidas são ainda maiores. Aliás, o facto de vários dos grandes Estados do Mundo terem ficado de fora da cimeira e das suas conclusões, tendo estas sido assumidas por Estados na sua maioria membros da UE e da NATO (ou seus associados), poderá ter sido o factor que levou o presidente dos EUA a não participar na Cimeira, argumentando que estava ocupado com uma iniciativa de angariação de fundos para a sua campanha eleitoral.
Impõem-se, portanto, várias perguntas. Porque falhou esta Cimeira? Visou ela verdadeiramente a paz? Os países ausentes e não subscritores não querem a paz? A resposta reside numa questão para a qual o PCP tem vindo a chamar a atenção: o conflito na Ucrânia não é um mero conflito entre dois países, é internacional, e a paz só é possível se se abordar as suas causas mais fundas e se inverter a lógica de confrontação. Ora, alguns dos principais organizadores da Cimeira da Suíça foram os mesmos que dias antes estiveram reunidos em Itália, Apúlia, na cimeira do G7 (nessa Biden esteve) que se dedicou a alimentar a lógica de confrontação internacional e a tentar dividir o Mundo entre «ocidente» e outros. Desde confisco de activos russos até financiamentos milionários para armamento na Ucrânia, passando pela autêntica propaganda de guerra da NATO e pela referência à China por 20 vezes no comunicado, numa linha claramente conflituante e provocatória, o G7 afirmou-se como um Conselho de Guerra. E essa é uma das razões pelas quais o encontro na Suíça foi um fracasso e não foi uma cimeira pela paz.