Geórgia
Para perceber muito do que está a acontecer neste país, importa trazer à memória o facto da actual presidente da Geórgia – Salome Zurabishvili – ser a antiga embaixadora da França na Geórgia. Sim, da França na Geórgia. Uma situação que ilustra bem o que aconteceu em muitos países da Europa de Leste, onde os filhos dos opositores ao socialismo regressaram a esses países para dirigir o processo de expropriação da propriedade social, de reconstrução do capitalismo monopolista e de submissão nacional ao imperialismo. Com a agravante desses opositores do socialismo terem anos de colaboração com os serviços secretos da NATO, e serem, em muitos casos, que não este, igualmente colaboradores nazis.
É a superação do veto desta presidente da Geórgia à Lei aprovada no Parlamento contra a «influência estrangeira» que está a motivar toda a pressão dos EUA e da UE contra o governo da Geórgia. Uma pressão descarada, neocolonial, utilizando quer os meios políticos e diplomáticos – os EUA por exemplo ameaçam aplicar sanções contra todos os dirigentes do partido no poder, outros ameaçam com sanções todos os deputados que votaram a favor da lei – e utilizando, à semelhança de tantas revoluções coloridas, uma rede interna de ONG e órgãos de comunicação social directamente financiados pelo imperialismo. Ainda mais grave, se possível, o facto recentemente denunciado pelo primeiro-ministro da Geórgia, de um Comissário Europeu o ter ameaçado com um atentado «viu o que aconteceu a Fico, você deve ter muito cuidado», depois de uma longa conversa onde lhe descreveu todas as sanções e ameaças que a UE utilizaria contra a Geórgia se a lei entrasse em vigor. O dito Comissário já reconheceu a autoria da frase, mas considera-a uma genuína expressão de preocupação e não uma ameaça.
Nos meios de propaganda publicados em Portugal chamam a esta lei «a lei russa», apesar desta ser aprovada no parlamento da Geórgia, sem qualquer interferência ou ameaça russa, e de toda a histeria e cacofonia internacional partir da NATO, dos EUA e da UE, que recusam à Geórgia, como recusaram à Ucrânia, o direito de querer estabelecer relações com ambos os seus vizinhos – a UE e a Rússia – e democraticamente lhe exigem a integração na UE e na NATO, e o envolvimento activo na guerra contra a Rússia.