Há mar e mar e a soberania tem de voltar
Numa mensagem escrita publicada no passado dia 20 de Maio no sítio oficial da Presidência da República na Internet para assinalar o Dia Europeu do Mar, o Presidente da República reafirmou a importância do oceano «como pilar da nossa autonomia, independência e potencial geoestratégico na globalização económica, na absorção de carbono, na segurança do comércio e das infra-estruturas críticas, e na insubstituível relação que promovemos entre os povos transatlânticos, quer no Atlântico Norte, quer no Sul».
O que o Senhor Presidente da República afirmou não merece qualquer reparo. É mesmo assim: Portugal é detentor de uma das maiores Zonas Marítimas Económicas Exclusivas da Europa e, simultaneamente, tem sido forçado pela União Europeia a destruir parte significativa da sua frota pesqueira (nos últimos 38 anos, o País perdeu mais de 27 mil pescadores e cerca de 60% da sua frota de pesca) e a importar peixe para as suas necessidades (ele que é dos maiores consumidores de peixe per capita do mundo).
Ou seja, a política de direita que nos tem governado, pelas mãos do PS, PSD e CDS (apoiada pelos seus sucedâneos do Chega e IL) – e de que o Senhor Presidente da República é cúmplice e activo apoiante – é tão antipatriótica, tão submissa às imposições da UE que prefere colocar o País de cócoras perante os monopólios que nela mandam, a assumir uma posição soberana sobre o nosso oceano, que nos permitisse aproveitar os seus recursos, desenvolver a actividade pesqueira, abastecer de peixe o País.
O que é espantoso é que o Presidente da República, constatando o óbvio, em vez de usar a sua influência para libertar Portugal da submissão às imposições da UE – que, entre tantos outrosaspectos nos impedem de explorar e usar em proveito próprio os seus recursos – aja exactamente em sentido contrário, ou seja, apoie aqueles que usurpam esses direitos.
É que não bastam declarações proclamatórias, é preciso agir para devolver ao povo português aquilo que nunca lhe devia ter sido retirado: o aparelho produtivo, a produção nacional, as suas riquezas, as suas empresas estratégicas, as suas terras e os seus mares.
É preciso intervir em defesa do povo e da pátria. Agir na União Europeia em defesa dos interesses portugueses, como o têm feito os deputados do PCP no PE. Como farão os deputados do PCP e do PEV que, no dia 9 de Junho, é preciso eleger.