PAIGC denuncia «regime ditatorial» instalado na Guiné-Bissau
Na Guiné-Bissau, o PAIGC denunciou o «regime ditatorial» encabeçado pelo presidente Umaro Sissoco Embalo, que «conduziu o país para o caos» nos últimos três anos e meio.
Num comunicado de imprensa, datado de 26 de Janeiro, a direcção do maior partido guineense considera ser anticonstitucional a decisão presidencial de dissolver o parlamento, provocando a queda do governo «sufragado nas urnas nas eleições legislativas de 4 de Junho de 2023».
Este governo, com ampla maioria parlamentar, foi formado pela Coligação PAI Terra Ranka, liderada pelo PAIGC. Em apenas três meses de governação, adoptou medidas como as que levaram à redução dos preços de produtos essenciais (arroz, pão, peixe, combustíveis) ou como a reintegração no Estado de «cerca de quatro mil quadros técnicos, entre professores, médicos e enfermeiros».
O partido denuncia também «um conjunto de actos ilegais a quase todos os níveis», designadamente proibição de manifestações, impedimento de militantes do PAIGC e de Combatentes da Liberdade da Pátria de homenagear Amílcar Cabral, a 20 de Janeiro, no 51.º aniversário do seu assassinato; e «perseguição e sequestro» de um jurista do colectivo de advogados do PAIGC.
No comunicado, o PAIGC «condena e repudia» as tentativas de falsificação da história da luta independentista da Guiné-Bissau, desvalorizando o papel do partido e de Amílcar Cabral. «Condena» as declarações do presidente da República proferidas recentemente contra jornalistas e órgãos de comunicação social nacionais e estrangeiros, «acto que, além de insultuoso, configura uma tentativa de intimidação» desses profissionais. E «lamenta», uma vez mais, a «passividade da comunidade internacional face às atrocidades que vêm sendo cometidas pelo regime», exortando-a a tomar «posições adequadas», de acordo com as leis internacionais.