«EUA e NATO não têm interesse em acordar uma solução justa para o conflito na Ucrânia»
O Fórum Económico Mundial 2024, reunido de 15 a 19, em Davos, na Suíça, escolheu como lema «Reconstruindo a confiança». O objectivo era debater a retoma da cooperação global após os desafios da pandemia de COVID-19, as alterações climáticas, as desigualdades crescentes e a transformação digital.
Contudo, diversas intervenções focaram-se mais no recrudescimento de conflitos no mundo e confirmaram a opção do «Ocidente» em acelerar a escalada armamentista. Para justificar o aumento destas despesas, alguns oradores recorreram ao velho método de exacerbar ameaças dos supostos inimigos.
Tal foi o caso de Valdis Dombrovskis, vice-presidente da Comissão Europeia, que instou os países membros da União Europeia «a reagir, não só dando todo o apoio necessário à Ucrânia mas também aumentando as capacidades militares da Europa».
Nesta linha, a França, cujo presidente declarou o seu país em «economia de guerra», anunciou o estabelecimento de uma coligação para facilitar o financiamento do fornecimento de mais armas à Ucrânia.
Por sua parte, o secretário de Estado norte-americano, Anthony Blinken, depois de reunir-se com o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, assegurou que Washington não deixará de apoiar Kiev.
Em Moscovo, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguéi Lavrov, abordou estes e outros temas, durante um encontro com jornalistas. Na reunião participaram 190 jornalistas russos e 170 estrangeiros, de mais de 140 meios de informação.
Sobre a Ucrânia, enfatizou que o diálogo sobre as condições para resolver a crise ucraniana dependem do «Ocidente» e não da Ucrânia, recordando que o «Ocidente» proibiu o governo de Kiev de assinar, em Abril de 2022, um acordo de paz com a Rússia.
«O Ocidente não tem interesse no início de conversações. Washington é que dá as ordens», insistiu. «Não vemos o mínimo interesse dos EUA e da NATO em acordar uma solução justa para o actual conflito ucraniano», realçou, responsabilizando os EUA por provocar a guerra com a «expansão desenfreada da NATO para Leste».