Devolver ao distrito de Évora a sua voz de Abril
As eleições de 10 de Março são uma oportunidade para mudar depolítica, afirmou anteontem, 9, Alma Rivera, primeira candidata da CDU pelo círculo eleitoral de Évora, onde são eleitos apenas três deputados.
«O voto na CDU nunca traiu»
Estas palavras foram proferidas no acto público da CDU, realizado no lotado Palácio D. Manuel, em Évora, que contou com a presença de Paulo Raimundo, Secretário-Geral do PCP. A iniciativa – apresentada por José Russo, director do Centro Dramático de Évora – começou com poesia, declamada por José Lourido: «Aldeia», de Manuel da Fonseca; «Calçada de Carriche», de António Gedeão, numa homenagem emotiva a Odete Santos, recentemente falecida, que mereceu um forte aplauso da plateia; «Soneto do Trabalho», de José Carlos Ary dos Santos.
Além de Alma Rivera (32 anos, jurista), ao palco foram chamados os restantes elementos da lista da CDU por aquele distrito: Noel Moreira (36 anos, geólogo) e Nuno do Ó (57 anos, músico). Sandra Alpiarça (49 anos, técnica de desporto na Câmara Municipal de Arraiolos), António da Silva Danado (47 anos, advogado) e Ana Sofia Patrício (27 anos, jurista) são os candidatos suplentes na lista.
A primeira intervenção coube ao médico Rui Dinis, director do Serviço de Oncologia Médica do Hospital do Espírito Santo de Évora e coordenador regional de Oncologia na Administração Regional de Saúde do Alentejo, que é o mandatário da lista.
«No dia 10 de Março não vamos escolher o primeiro-ministro, porque o nosso regime é parlamentar, mas antes escolher o equilíbrio de forças entre capital e trabalho que queremos no Parlamento. Por isso, o único voto útil no distrito de Évora é o reforço da CDU, onde a perda recente de um deputado amputou a capacidade de intervenção não só da CDU, mas sobretudo de Évora, em troca de mais um deputado a engrossar a maioria absoluta quase acéfala do PS, que, como se viu, deu em prepotência, nepotismo, casos e casinhos sucessivos, retrocesso de direitos sociais e em demissão com estrondo», afirmou.
Propostas necessárias
Sobre isso, Alma Rivera informou que o PCP nesta legislatura, mesmo sem ter eleito nenhum deputado pelo distrito, fez 13 propostas – chumbadas com o voto contra do PS – tão urgentes como a requalificação de escolas; a inclusão de verbas necessárias para o IP2 e o IC33; a recuperação de estradas degradadas com a obra da ferrovia; a construção das circulares rodoviárias de Estremoz, Évora, Montemor-o-Novo ou Vendas Novas, que permitiam desviar o trânsito dos veículos pesados de mercadorias do interior das cidades; pleno aproveitamento da Linha Sines-Caia, com a construção de estações de passageiros e cais de mercadorias em Vendas Novas, Évora e Alandroal; medidas de valorização do património alentejano e dos artesãos que o produzem, como as tapeteiras de Arraiolos ou os artesãos dos bonecos de Estremoz.
«São necessidades que conhecemos e propostas pelas quais lutamos e continuaremos a lutar», assegurou a candidata, sublinhando que faz falta «gente que defenda a gente», como os «deputados da CDU».
Direito à educação
A poucos dias de o PCP apresentar o seu programa eleitoral, Paulo Raimundo adiantou propostas concretas para responder «a uma questão central para o futuro do País» que é o direito à educação.
«Medidas como a integração nos quadros de todos os trabalhadores com vínculos precários que satisfaçam necessidades permanentes das escolas; a reposição de todo o tempo de serviço congeladoaos professores; a vinculação de todos os professores com três ou mais anos ou 1095 dias de serviço; a contratação de docentes e técnicos especializados para a educação especial; a valorização das carreiras tornando mais atractiva a profissão docente; a defesa da gratuitidade dos manuais escolares e o seu alargamento às fichas no 1.º ciclo; a redução do número de alunos por turma e o número de turmas por professor», elencou.
Quase a terminar, o Secretário-Geral do PCP afirmou ser preciso «dar mais força à CDU» e «eleger a Alma Rivera», um «desafio» que está colocado aos democratas, patriotas e a todos os que «vivem e trabalham» no distrito de Évora, «independentemente do seu voto há dois anos» e que «hoje percebem que a solução passa pelo reforço do PCP e da CDU, a força da palavra, da dignidade e da confiança».
Com os trabalhadores da Aunde
Antes, no início da tarde, Paulo Raimundo e Alma Rivera, com outros candidatos da CDU, contactaram com os trabalhadores da Aunde Portugal, empresa especializada na produção de capas, assentos e outros interiores para automóveis, aviões e comboios, onde se continua a lutar contra a precariedade no emprego e por emprego com direitos.
Ali laboram cerca de 400 pessoas, metade dos quais imigrantes vindos do Nepal, Índia e Paquistão, que não recebem mais do que o salário mínimo nacional (SMN). Um problema que se agrava quando as profissões não são valorizadas, nalguns casos há mais de duas décadas.
Perante esta realidade, Paulo Raimundo criticou a promessa feita por Pedro Nuno Santos, recém eleito Secretário-Geral do PS, de 1000 euros de SMN para 2028, deixando milhares de trabalhadores para trás. O PCP defende que esse aumento já deveria ter acontecido em 2024, porque os trabalhadores estão a ter dificuldades em fazer chegar o salário até ao final do mês, face ao aumento dos custos com os bens essenciais, como a alimentação, a energia, a luz, o gás e a casa.
No local foi distribuído um documento intitulado «Mais CDU, vida melhor», onde se avança com a necessidade de garantir o financiamento necessário para a conclusão e funcionamento do Hospital Central do Alentejo, uma proposta apresentada pelo PCP para o distrito de Évora que foi rejeitada com os votos contra do PS.
O périplo pelo distrito de Évora foi acompanhado por Patrícia Machado, da Comissão Política do PCP e responsável pela Organização Regional de Évora.




