Luta permanece determinante para aumentar salários em 2024
Na CARRIS, no sector ferroviário, na Hutchinson Borrachas, nos centros de contacto e nas empresas do Grupo EDP, os trabalhadores e os seus sindicatos persistem na exigência de valorização do trabalho.
Justifica-se um aumento salarial geral de 15 por cento, com um mínimo de 150 euros
«Em 2024, a luta será determinante», destacou o Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal, num comunicado sobre as negociações salariais na CARRIS. O STRUP, filiado na FECTRANS/CGTP-IN, informou que a sua proposta anual de revisão do Acordo de Empresa foi enviada em meados de Dezembro, pelo que a negociação deve iniciar-se «com a celeridade necessária».
Entre as propostas apresentadas à administração, o sindicato destacou: melhoria nas férias e pressupostos para a sua majoração; regulamentação dos horários no tráfego; reconhecimento da maior penosidade do trabalho nocturno; aumento do subsídio de refeição; anuidades (diuturnidades) sem limite; melhoria do enquadramento profissional; evolução do horário normal de trabalho para sete horas diárias, rumo às 35 horas semanais; e aumento salarial, na ordem dos 150 euros, por forma a garantir a recuperação do poder de compra perdido e a necessária valorização das profissões.
Para a nova negociação, o STRUP alerta que «os resultados positivos que a empresa tem obtido devem ter consequência no reconhecimento devido aos trabalhadores, coisa que se consegue com o aumento significativo dos salários e não com “raspadinhas” discriminatórias».
Mais de uma dezena de organizações sindicais que intervêm no sector ferroviário – entre as quais a FECTRANS, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário e a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais – admitem «desenvolver novas acções em função da resposta, ou da falta dela», a uma carta de protesto pelo bloqueamento nos processos de negociação em curso.
A missiva, como informou a FECTRANS, foi enviada ao primeiro-ministro (que tutela as Infra-estruturas), ao secretário de Estado das Infra-estruturas, ao ministro das Finanças e às administrações da CP e da IP, no dia 22 de Dezembro. Para o dia anterior, estava agendada uma reunião de negociação na IP, a qual «foi suspensa, com a informação de que não há orientações da tutela». Na CP as negociações «foram suspensas sem informação de retorno».
As estruturas sindicais frisam ser urgente que o Governo dê às administrações das empresas as orientações necessárias para a abertura de negociações salariais, rejeitando que «os trabalhadores das empresas públicas não vejam os seus salários actualizados, no mais breve período, como resultado de um processo negocial».
À administração da Hutchinson Borrachas de Portugal, em Campo Maior, foi dado um prazo, até 8 de Janeiro, para comunicar respostas concretas e objectivas a todas as propostas do Caderno Reivindicativo 2024, com aumentos salariais a vigorarem desde o primeiro dia do ano.
A decisão foi tomada em plenários, a 20 de Dezembro, promovidos pelo SITE Sul e nos quais foi decidido manter todas as propostas do caderno, aprovado em Outubro e apresentado à empresa. Os trabalhadores e o sindicato reiteraram que a Hutchinson tem todas as condições para actualizar os salários em 150 euros.
Novos plenários foram marcados para a semana de 8 a 12 Janeiro, com vista a analisar as respostas da empresa, ou a falta delas. Mas ficou já admitido que, se for necessário, serão decididas formas de luta.
Greves nos centros de contacto, nos dias 23 a 26, 30 e 31 de Dezembro e 1 e 2 de Janeiro, foram convocadas pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual, correspondendo à «vontade de prosseguir com a luta necessária», manifestada nos locais de trabalho. «Como as empresas sabem, os trabalhadores dos centros de contacto há muito que reivindicam melhores condições de trabalho, com especial prioridade para um salário compatível com o trabalho altamente qualificado que desenvolvem», destacou o SINTTAV/CGTP-IN, num comunicado em que referiu estarem abrangidas as principais empresas de trabalho temporário que actuam neste sector.
No centro de contacto da Segurança Social, em Castelo Branco, a convocação de greve, para 2 de Janeiro, e um plenário, no dia 3, foi decidida a 18 de Dezembro, para dar força às reivindicações de aumentos salariais e do subsídio de refeição, mais tempo de pausa, fim do outsourcing e integração nos quadros da Segurança Social, entre outras.
Nesse dia realizou-se «um plenário muito expressivo», como assinalou o SINTTAV, num comunicado em que publicou fotos de uma arruada, realizada após a reunião, com destino à Câmara Municipal e passagem pela delegação da Autoridade para as Condições do Trabalho.
Na jornada compareceu, a prestar solidariedade, uma delegação do PCP, da qual fez parte Jorge Fael, membro da direcção regional do Partido (o qual, como dias depois foi anunciado, encabeça a lista da CDU neste círculo eleitoral para as legislativas de 10 de Março).
Durante todo o mês de Janeiro prossegue a greve ao trabalho suplementar, nas empresas do Grupo EDP, para exigir medidas de valorização das carreiras profissionais e da antiguidade e reposição da justiça laboral.
O prolongamento da greve, iniciada a 1 de Dezembro, foi anunciado pela FIEQUIMETAL/CGTP-IN, que recusou a tentativa patronal de desviar as atenções. Os representantes da administração, numa reunião realizada dia 13, voltaram a não apresentar propostas relativamente às reivindicações que estão colocadas, procurando, à pressa, agitar a tabela salarial e o protocolo de carreiras. A federação adiantou que a sua proposta de tabela salarial para 2024 será apresentada oportunamente, com a devida fundamentação.