De novo, as sondagens

Andamos há muitos anos a assistir a um fenómeno perverso e grotesco: quando se aproximam períodos eleitorais começam a fervilhar as sondagens, tratadas pela comunicação social dominante como se se tratassem já de pré-resultados eleitorais. Perverso pelo efeito que cria, como se se tratasse de uma profecia auto-realizada – as sondagens funcionam como uma quinta coluna em cada campanha eleitoral, como instrumento para influenciar o voto, de que foi exemplo a sondagem que deu o PSD à frente do PS em véspera das últimas legislativas. Estão por ser feitas as contas quantos votos essa sondagem desviou de outras candidaturas para o pecúlio do PS e qual foi o seu peso para a maioria absoluta obtida.

Quando o primeiro-ministro reconheceu recentemente, em entrevista à TVI, que provavelmente muitos eleitores ter-se-ão arrependido do voto quando viram o resultado, pode agradecer o engodo a quem fabricou tal «estudo de opinião». E é grotesco porque se processa de forma consciente, tal como é fácil de reconhecer quando ouvimos repetidamente o reconhecimento dessa realidade por parte de quem publica as sondagens e as utiliza para questionar cada força política assumindo os resultados de cada sondagem como se fosse um facto. Temos visto, de novo, essa táctica posta em prática com o PCP e a CDU, sendo os resultados das sondagens tema recorrente nas perguntas feitas ao Secretário-Geral.

Os rotundos falhanços das sondagens são assumidos por vários responsáveis editoriais, como ficou público através de um recente episódio do podcast de política do Expresso. Neste, são assumidos todos os erros e a perversidade que comporta a publicação de sondagens que acabam por servir para conduzir o voto, seja conduzindo-o através da promoção fabricada de uma ou outra candidatura, seja pela instigação artificial do medo da direita, levando ao dito voto útil (para quem o recebe, não para quem o expressa como se demonstrou com a maioria absoluta do PS). Foi saudável ouvir integrantes da direcção do Expresso reconhecer tudo isto. Mas tudo não passou de um mea culpa inconsequente, quando na edição anterior tinham publicado mais uma sondagem (que serviu para sustentar os cenários comentados naquele espaço). Mas, reclamaram esses responsáveis, desta vez tiveram cuidados redobrados, nomeadamente dando maior peso aos resultados sem distribuição dos indecisos.

Pois bem, mas tal não resolve nenhum dos problemas identificados. Continuamos a assistir a estas operações de manipulação do voto em massa das quais os órgãos de comunicação social e quem os dirige até podem não ser os autores morais, mas não se livram da responsabilidade enquanto principais e mais visíveis agentes. Ao longo dos anos temos conhecido inovações sucessivas que têm contribuído para o refinar da sofisticação com que as sondagens são usadas como instrumento de manipulação, mas elas não votam. Neste período eleitoral, lembremos o prego espetado pelo povo da Madeira no caixão da credibilidade das sondagens que previam a saída da CDU do parlamento regional.

 



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