Enfermeiros em luta contra discriminações
Ontem, 6, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) entregou uma moção na residência oficial do primeiro-ministro, durante uma concentração de protesto, a reclamar a paridade com a carreira técnica superior da Administração Pública.
Governo protela a negociação com os enfermeiros
O protesto foi decidido no passado dia 21, numa acção frente ao Ministério da Saúde, na condição de que se não fosse marcada uma nova reunião os enfermeiros voltariam a sair à rua para exigir «soluções» para os seus problemas. «Na contabilização dos pontos aos enfermeiros, o Governo impôs o pagamento de retroactivos a 2022. Para outros grupos profissionais da saúde, decidiu pagar retroactivos a 2019», acusa o SEP.
O sindicato alerta, igualmente, para a situação dos enfermeiros com vínculo precário. «É manifestamente insuficiente a vinculação definitiva apenas de alguns contratos precários. A carência estrutural de enfermeiros advém, também, do crónico sub-dimensionamento da maioria dos mapas de pessoal», o que resulta em «milhares de horas de trabalho extraordinário de forma contínua e sistemática; impossibilidade de gozo dos descansos semanais e complementares; impossibilidade do gozo das 11 horas de intervalo entre cada jornada de trabalho», esclarece o SEP, frisando que o primeiro-ministro «pode e deve resolver estes problemas».
Utentes solidários
Solidárias com a acção dos profissionais de saúde, as comissões de utentes da saúde de Almada e do Seixal agendaram para segunda-feira, 11 de Dezembro, das 17h30 às 20h30, uma vigília na entrada do Hospital Garcia de Orta, para exigir a adopção de medidas imediatas que assegurem o acesso pleno às urgências e o bom funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Naquele hospital, estão encerradas as urgências de Pediatria em período nocturno e de Obstetrícia, das 8h00 de sexta-feira às 8h00 de segunda-feira.
«A desmotivação dos profissionais de saúde mantém-se, no que respeita ao descontentamento com os salários, com os horários e com as condições de trabalho, de evolução nas carreiras e de vínculo laboral que lhes são oferecidas», referem os utentes em nota de imprensa, lembrando que «a contratação e a dificuldade em fixar os médicos e outros profissionais no SNS é dramática e afecta gravemente o acesso dos doentes aos cuidados de saúde de que necessitam».