Sobe o descontentamento no banco BNP Paribas
O mais recente plenário, com participação de 1300 trabalhadores, aprovou reivindicações que convergem com a luta dinamizada há meses pelo SinTAF/CGTP-IN, que foca esforços nos locais de trabalho.
Os baixos salários são um dos motivos para o crescimento da operação
Por iniciativa da Comissão de Trabalhadores do BNP Paribas, realizou-se no dia 17 um plenário, com 1300 participantes, no qual também marcou presença o Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Financeira (SinTAF), que no final de Junho tinha promovido a entrega de um abaixo-assinado com 1698 subscritores.
O sindicato, numa nota de dia 22, salientou que as reivindicações agora aprovadas convergem com a luta que tem vindo a dinamizar e «inscrevem-se num processo de crescente descontentamento com a situação laboral no BNP Paribas». Para o SinTAF, «é da maior premência intensificar o trabalho de proximidade nos locais de trabalho, auscultar os trabalhadores e continuar ao seu lado».
Enquanto os trabalhadores sofrem o aumento do custo de vida, o banco francês «tem vindo a aumentar a sua operação em Portugal, através da passagem de serviços para o nosso país, devido aos baixos salários por cá praticados e à falta de regulação do sector».
No abaixo-assinado, que surgiu após um plenário e reflectiu as reivindicações então inscritas numa moção (como lembrou agora o SinTAF), os trabalhadores do BNPP exigiram:
• Negociação de um Acordo de Empresa;
• Aumento geral dos salários, no mínimo de 150 euros, e garantia de que ninguém ganhe menos de 1500 euros;
• Negociação de uma carreira com progressão automática que valorize a antiguidade;
• Semana normal de trabalho de 35 horas (como na restante banca);
• Um seguro de saúde que cubra todas as situações de doença, sem custos.
Há «acordos de empresa, assinados por outros sindicatos», que aceitaram «uma situação diferenciada e objectivamente desfavorável», em comparação com os demais bancos, como «a semana de 40 horas e uma progressão de carreira residual», critica o SinTAF.
A administração do banco reuniu-se com o sindicato, mas «recusou-se a responder às necessidades dos trabalhadores, pondo de parte um aumento extraordinário de salários já em 2023».
O SinTAF critica o argumento patronal de terem sido aplicados aumentos anuais, uma vez que o sistema vigente no BNPP apenas prevê a possibilidade (não a garantia) de subida do salário e de atribuição de um bónus, e estes são «discricionários», «não se sabe qual a base para essas decisões».
Está a terminar «um ano em que o BNP Paribas tem lucros recorde em todos os trimestres e vai inaugurar um novo edifício em Portugal», nota o sindicato, perspectivando o desenvolvimento da acção no próximo ano.