Recurso à greve para defender melhores salários e direitos

Nos últimos dias, decidiram recorrer à greve trabalhadores do sector social, do comércio, dos transportes, do turismo e da comunicação social, por aumentos salariais e em defesa de direitos.

As greves foram decididas em defesa de reivindicações justas

Boa adesão em todo o País registou a greve dos trabalhadores das Instituições Particulares de Solidariedade Social que se realizou a 29 de Setembro. Melhores salários e condições de trabalho, 35 horas semanais e integração na esfera do Estado foram as principais reivindicações.
Durante a greve, realizou-se, no Porto, uma manifestação que seguiu do Cais de Gaia até ao Largo do Terreiro, próxima da sede da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade.
Em comunicado, a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, que promoveu a greve e a manifestação, saudou todos os trabalhadores que participaram neste dia de luta.

No dia 26, estiveram em greve os trabalhadores da JAP Carby, nos Olivais (Lisboa) e em Loures, organizados no Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP). Um piquete permaneceu durante todo o dia à porta do stand da Carby (Hyundai), nos Olivais.
Foram destacados dois objectivos da luta: reposição do pagamento do trabalho aos sábados, segundo o Contrato Colectivo de Trabalho, a revisão do sistema de comissões, que coloca trabalhadores na injusta situação de venderem viaturas sem qualquer comissão e lhes retira, em algumas ocasiões, mais de 50 por cento do rendimento.
Em solidariedade, Isabel Camarinha, Secretária-Geral da CGTP-IN, esteve presente no piquete.

 

Algarve

Os trabalhadores das empresas Eva Transportes, Frota Azul, Vizur, Sanbus e Translagos fizeram greve a 28 e 29 de Setembro pelo pagamento do subsídio de férias de acordo com lei (média do vencimento auferido no ano anterior) e por um aumento extraordinário de 100 euros no salário-base.
O Grupo Barraqueiro, detentor das cinco empresas, não respondeu ainda ao caderno reivindicativo entregue pelos trabalhadores no início de Julho, disse um dirigente sindical, citado pela agência Lusa,
Esta paralisação, convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal, deu seguimento à que se realizou no início de Agosto, apenas na Eva Transportes e na Vizur.

No Hotel Portobay Falésia, em Albufeira, os trabalhadores reuniram-se em plenário, no dia 19 de Setembro, mandataram o Sindicato da Hotelaria do Algarve para convocar greve a todos os feriados até ao final do ano, incluindo o dia 1 de Janeiro de 2024, face à contínua recusa da administração a encetar um processo negocial sério. Entre as reivindicações, como referiu o sindicato, constam: um aumento salarial de dez por cento, com um mínimo de 100 euros, com efeitos a 1 de Janeiro de 2023; a reposição do pagamento do trabalho prestado em feriados, a 200 por cento; a redução do horário para 35 horas semanais, sem perda de remuneração; e a melhoria das condições de trabalho.

No dia 27, dirigentes do sindicato concentraram-se no exterior do NAU Salgados Palace, em Albufeira, onde decorreu uma conferência. A iniciativa visou assinalar o Dia Mundial do Turismo e foi promovida pela Confederação do Turismo de Portugal e pela Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve. Durante o protesto foram denunciados os baixos salários, os vínculos precários e a desregulação dos horários que imperam no sector.

 

Exemplo na TSF

A greve de 20 de Setembro na TSF, a primeira na emissora em 35 anos, foi «um exemplo de unidade e determinação», «foi histórica e teve uma adesão de 100 por cento», destacou o Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicações e Comunicação Audiovisual. Num comunicado que emitiu no dia seguinte, o STT (que subscreveu o pré-aviso, com o Sindicato dos Jornalistas). O sindicato persiste em exigir: a aplicação de aumentos salariais aprovados em plenários, com retroactivos a 1 de Julho; o pagamento da actualização do subsídio de refeição referente aos meses de Janeiro e Fevereiro de 2023 e a atribuição de mais um dia de férias; e a calendarização do início das negociações dos salários para 2024.
No dia 20, dirigentes do PCP expressaram solidariedade com a luta dos trabalhadores, concentrados no exterior das instalações. Na AR, o Partido questionara, dia 13, o Governo sobre que diligências estaria a tomar para garantir o cumprimento dos direitos laborais na TSF.

 



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