Não esquecer os crimes do fascismo e suas vítimas

O PCP votou favoravelmente o voto de pesar pelas vítimas da ditadura chilena, nos 50 anos da morte de Salvador Allende e do golpe fascista de 1973 que derrubou o governo de Unidade Popular.

Em declaração de voto assinada pelos deputados Paula Santos e Bruno Dias, a bancada comunista considera «da mais elementar justiça» a homenagem que a comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas entendeu fazer com a apresentação daquele voto de pesar pelas vítimas da cruel repressão que se abateu sobre o povo chileno, sublinhando no entanto não pactuar com o «branqueamento da natureza da ditadura fascista do general Augusto Pinochet, nem com a ingerência externa dos EUA e da CIA, na desestabilização do Chile».

«Num momento em que alguns procuram reescrever a História, branquear o que foi o fascismo e os seus crimes, e em que são banalizadas, normalizadas e promovidas forças de extrema-direita e fascistas, assinalar os 50 anos do golpe militar fascista no Chile é também alertar os democratas, os antifascistas, os defensores da liberdade e da paz, de que o tempo é de acção face a concepções e projectos reaccionários e fascizantes», salientam os deputados na declaração de voto em nome do PCP.

No texto recorda-se nomeadamente como após três anos de importantes medidas económicas e sociais, que colocaram os recursos do país «ao serviço da melhoria das condições de vida dos trabalhadores e do povo chileno», esse processo transformador profundamente democrático e participado foi interrompido de forma sangrenta por um golpe dos sectores mais reaccionários das forças armadas.

Golpe esse concebido e incrementado pelos EUA, com o envolvimento da CIA, das multinacionais norte-americanas e dos grupos económicos chilenos, a partir do qual passaram a ser «impostas no Chile as concepções liberais ditadas pelos “Chicago Boys”», com pesadíssimas consequências para os trabalhadores e povo chileno.

Daí o alerta do PCP para a continuidade de tais concepções e para a tentativa dos seus protagonistas de procurarem «confundir liberalismo com liberdade, esse liberalismo onde assentaram os princípios e fundamentos do golpe fascista no Chile». Liberalismo, enfatizam os comunistas, «que mostrou e mostra ser incompatível com a democracia».

«Os democratas têm o dever e a responsabilidade de não deixar que sejam esquecidos os crimes cometidos pelo fascismo no Chile, em Portugal ou noutros países», exorta o PCP, convicto de que esse é «um dever e uma responsabilidade de sempre, que assume particular significado e importância na actualidade».

Por uma agenda de Paz

O PCP reiterou a necessidade de abrir vias de negociação que visem alcançar uma solução política do conflito que «os EUA e a NATO travam na Ucrânia com a Rússia», ao invés de «instigar o prolongamento e o agravamento de uma guerra que se trava há quase dez anos».

Esta posição voltou a ser expressa numa declaração de voto do Grupo Parlamentar do PCP a propósito de um voto, igualmente apresentado pela comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, «de condenação pela realização de eleições regionais e locais nos territórios da Ucrânia ocupados temporariamente pela Federação Russa». O voto foi aprovado por todos os partidos à excepção do PCP, que se absteve.

E são várias e consistentes as razões para o sentido de voto dos seus deputados, desde logo o entendimento de que o texto apresentado, «mais do que procurar contribuir para a solução política de uma guerra que dura há quase dez anos, com os seus múltiplos desenvolvimentos e consequências, inscreve-se numa visão que, omitindo e distorcendo elementos de natureza histórica e deturpando as raízes e causas do conflito, procura animar a guerra e quem com ela lucra».

Omissões e distorções de que os deputados do PCP dão inúmeros exemplos, como é o facto de a actual situação resultar do carácter e das consequências do golpe de Estado de 22 de Fevereiro de 2014, nomeadamente «com o início da guerra pela junta militar golpista de Kiev em resposta à expressiva rejeição popular, nas regiões do Leste e Sul da Ucrânia, do golpe, orquestrado pelos EUA e a UE, com o recurso a grupos e formações paramilitares que reivindicam o seu passado de colaboracionismo com o nazi-fascismo».

O que se impõe, por isso, na óptica do PCP, «é avançar para uma urgente agenda de paz, para um processo sério de negociações, como única via para pôr fim ao conflito que se trava na Ucrânia e promover a paz e a segurança na Europa, impedindo o perigo do alastramento da guerra e da deflagração de um conflito com maiores proporções e consequências ainda mais graves».





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