Deputados do PCP no Parlamento Europeu focados em problemas regionais do Algarve

Quatro dias de contactos, visitas e reuniões marcaram a agenda de Sandra Pereira e João Pimenta Lopes nas Jornadas de Trabalho dos Deputados do PCP no Parlamento Europeu, que se realizaram, de 25 a 28 de Julho, no distrito de Faro.

No Algarve, potencialidades da região convivem com debilidades e insuficiências

Sob o lema «Contigo todos os dias – A tua voz no Parlamento Europeu», os deputados do PCP no Parlamento Europeu (PE) realizaram cerca de de 50 visitas, contactos e outras iniciativas ao longo dos quatro dias que compuseram as jornadas de trabalho. Em foco, estiveram os problemas e questões essenciais que se colocam aos trabalhadores da região algarvia e do País. Populações, estruturas sindicais, empresas, associações e outras organizações não fugiram ao radar dos eleitos comunistas que abordaram temáticas como o aumento do custo de vida, os baixos salários, precariedade, degradação de serviços públicos, direito à habitação, defesa do ambiente e a promoção da produção regional.

As múltiplas visitas, reuniões e encontros também permitiram a divulgação do trabalho e intervenção dos deputados do PCP no PE. Desde a sua eleição, em 2019, é já grande o rol de iniciativas que tiveram lugar no distrito de Faro.

 

Jornadas aprofundaram conhecimento

Em unidades hoteleiras, como no Inatel Albufeira, no hotel Pine Cliff´s ou no Balaia, os eleitos testemunharam o elevado grau de precariedade, onde grande parte dos trabalhadores são contratados por empresas de trabalho temporário para serviços permanentes. O salário mínimo ou muito perto disso é o que levam para casa empregadas de limpeza, que ganham menos por mês que alguns preços diários dos quartos que limpam.

Já no comércio, nos centros comerciais de Portimão, Loulé, Guia e Tavira, verificaram as reivindicações do fecho ao domingo, a redução do horário das lojas e o aumento geral dos salários.

No sector público, em particular nas autarquias, os problemas prendem-se com o Sistema Integrado de Gestão e Avaliação do Desempenho na Administração Pública, o SIADAP, e mais uma vez, com os baixos salários. Para além de empobrecerem a trabalhar, na EMARP – Empresa Municipal de Águas e Resíduos de Portimão e na e FAGAR – Faro, Gestão de Águas e Resíduos E.Mainda se trabalham 40 horas semanais.

Também na saúde se sente a falta de valorização das carreiras e do próprio SNS. No Hospital de Portimão, de acordo com os deputados comunistas, o encerramento de serviços e a falta de condições de trabalho é uma realidade bem presente.

Pescadores e viveiristas também levantaram diversas preocupações no que se concerne a rendimentos e a falta de apoios. A produção regional também esteve em destaque com visitas à produção de sal em Loulé e Castro Marim, a transformação de cortiça em Silves e o mercado biológico de Lagos.

 

Dar resposta aos problemas

Num distrito marcado pela exploração, dirigentes sindicais, numa reunião na Casa Sindical de Faro, garantiram que continuava a luta por aumentos salariais e por mais direitos para os trabalhadores.

Por toda a região, os contactos realizados pelos deputados reafirmaram a mensagem de que é necessário garantir o direito à habitação, reforçar os serviços públicos, apoiar a produção agrícola e a pesca, defender o ambiente, investir nos transportes públicos colectivos, responder à seca e ao acesso à água.

 

Região marcada pela exploração

Entre os vários contactos com trabalhadores de diferentes sectores foi possível recolher diversos testemunhos que vão de encontro às posições defendidas pelos deputados comunistas no Parlamento Europeu:

«Também temos família, devíamos ter o direito ao lazer, aos domingos e feriados»

Trabalhador no Centro Comercial Aqua, em Portimão

«Não temos condições no porto, temos custos de produção altos, muitas vezes ganhamos pouco, o pescador é que paga tudo. Querem acabar com a pesca no País»

Pescador no porto de pesca de Portimão

«A privatização só serviu para os accionistas encherem os bolsos»

Trabalhador do posto de distribuição dos CTT, em Algoz

«Faço quatro horas nesta loja e mais cinco naquela. Só assim consigo pagar as contas»

Trabalhador do Algarve Shopping Guia, em Albufeira

«Não se percebe porque não é o hotel a contratrar-nos e é uma empresa de trabalho temporário. O nosso posto de trabalho é permanente. Precisam de nós todos os dias»

Trabalhador de unidade hoteleira, em Albufeira

«Trabalhamos para uma empresa de assistência em escala, mas somos contratados por uma empresa de trabalho temporário, de Fevereiro a Novembro. Depois somos despedidos»

Trabalhador do aeroporto de Faro

«O salário é pelo mínimo, mas o trabalho é duríssimo»

Trabalhador da FAGAR – Faro, Gestão de Águas e Resíduos E.M.

«Estamos já para lá do meio do ano e ainda aguardamos a portaria que renovará automaticamente as licenças anuais do viveiristas»

Viveirista de Quatro Águas

«A subida da taxa de juros está a fazer com que as pessoas cancelem as férias. E são os meses de Junho e Agosto que costumavam compensar os meses de Inverno»

Comerciante de Vila Real de Santo António





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