Países africanos buscam a paz
O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, liderou a delegação de países africanos que visitou a Ucrânia e a Rússia, com o objectivo de abrir caminhos de negociação que possam pôr fim ao conflito.
A guerra deve terminar com negociações, afirma a delegação africana
A delegação, que integrava altos representantes de sete países africanos – África do Sul, Comores, Congo-Brazaville, Egipto, Senegal, Uganda e Zâmbia – foi especificamente organizada para incluir países de várias regiões do continente e com diferentes visões sobre o conflito que se trava na Ucrânia. O primeiro destino da delegação foi a capital ucraniana, Kiev, seguindo depois para São Petersburgo. Em cada uma das cidades, os líderes africanos estiveram reunidos, respectivamente, com o chefe de Estado ucraniano e o chefe de Estado russo.
Em ambos os encontros, Cyril Ramaphosa fez saber que a delegação africana estava aberta a «ouvir» e «compreender» as diferentes perspectivas sobre o conflito, reafirmando que a guerra deve terminar com negociações: «a guerra não pode durar para sempre (…) e trazemos uma mensagem clara de que nós queremos que esta guerra termine.»
No encontro com a delegação africana, o presidente russo garantiu que o seu país está aberto a um «diálogo construtivo com todos aqueles que querem paz, tendo como base os princípios da justiça e da consideração dos interesses legítimos das duas partes». O porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, afirmou que o diálogo com os países africanos «vai continuar».
Cereais e fertilizantes
O líder sul-africano lembrou que, ao afectar a exportação de cereais da Ucrânia e cereais e fertilizantes da Rússia, a guerra e as sanções estão a prejudicar os países africanos e a aumentar a insegurança alimentar mundial. Referiu também como gravoso o aumento significativo do preço dos combustíveis.
Em Julho de 2022, a Rússia, a Turquia e as Nações Unidas celebraram um acordo visando desbloquear a exportação de cereais da Ucrânia, que terá de ser renovado até 18 de Julho. A Rússia acusa as potências ocidentais de não terem cumprido o que se encontra estipulado nesse acordo e assume que ele poderá não ser renovado. No entanto, assumem as autoridades russas, os contactos continuam. Quanto ao acordo relativo aos cereais e fertilizantes russos, a Rússia deixa à ONU a decisão sobre a sua continuidade, já que são dois acordos diferentes, embora relacionados entre si.
Apenas três por cento dos cereais provenientes da Ucrânia chegaram aos países mais pobres, sobretudo de África. A maioria seguiu para os países da União Europeia.