NATO agrava escalada militarista

A poucas semanas da cimeira em Vilnius e durante os maiores exercícios aéreos da sua história, a NATO eleva o tom da agressividade: as despesas militares são para aumentar «já», bem como o reforço da sua presença na Ásia e no Pacífico.

A NATO pretende abrir uma delegação no Japão, elevando a confrontação face à China

Lusa

O que até agora era assumido como valor de referência – a consagração até 2024 de dois por cento do PIB dos países membros da NATO para gastos militares – transformou-se em patamar mínimo: foi precisamente isso que anunciou o Secretário-geral, Jens Stoltenberg, na semana passada, à margem de uma reunião de ministros da Defesa da NATO realizada em Bruxelas, em que participaram os líderes de 20 das principais empresas mundiais de armamento (cujos ganhos dispararam nos últimos meses).

Numa conferência de imprensa realizada à margem da reunião, o Secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, declarou que este patamar tem de ser atingido o quanto antes, dando como pretexto o conflito que se trava na Ucrânia. Ora, a verdade é que a NATO representa há muito cerca de metade do total das astronómicas – e crescentes – despesas militares mundiais. A República Popular da China e a Federação Russa, no seu conjunto, não chegavam aos 18%.

A encabeçar a lista dos que mais gastam em armamento estão, de muito longe, os EUA, com 39% do total dos gastos militares mundiais: em 2022, o orçamento militar norte-americano (que representou qualquer coisa como 877 mil milhões de dólares) mais do que duplicava os gastos somados da China e Rússia. Uma parte significativa das despesas militares dos EUA destinam-se à manutenção das centenas de bases e instalações militares e frotas navais que têm espalhadas pelo mundo, particularmente na Europa e na região Ásia-Pacífico.

NATO aponta à Ásia
Após a inclusão da Finlândia, já este ano, a NATO tem actualmente 31 Estados-Membros e tem presença directa na América do Norte e na Europa, com proximidade ao Norte de África e ao Médio Oriente, nos oceanos Atlântico e Pacífico e nos mares Mediterrâneo, Báltico, Negro e do Norte. Mas os seus tentáculos chegam bem mais longe, através das dezenas de «parcerias» e «acordos» e das já referidas bases e frotas, que colocam este bloco político-militar em praticamente todo o globo.

Anunciada foi, recentemente, a intenção de abrir uma delegação da NATO no Japão, que participa por estes dias no Air Defense 2023, as maiores manobras aéreas da história da NATO, eufemisticamente intituladas Air Defense 2023: realizadas fundamentalmente em território da Alemanha, República Checa, Estónia e Letónia, envolvem 10 mil efectivos e 250 aviões de 25 países.

A abertura de uma delegação da NATO no Japão tinha já sido duramente criticado pelo governo chinês, para quem a «contínua incursão» da NATO na Ásia-Pacífico constitui uma interferência que, «inevitavelmente socavará a paz e a estabilidade da região e avivará a confrontação».

Para além da NATO, em acelerada corrida para o continente asiático, os EUA estabeleceram nos últimos anos outros espaços e pactos militares naquela região: o AUKUS, com a Austrália e o Reino Unido; e o QUAD, envolvendo também o Japão, a Coreia do Sul e a Índia. Pelas suas contradições, este último – que chegou a ser designado por alguns de «NATO asiática» – não estará a satisfazer os objectivos belicistas dos EUA, que apostam agora na NATO para replicar na Ásia, face à China, a política de cerco militar montada em torno da Rússia nas últimas décadas, com os sucessivos alargamentos para o Centro, Leste, Sul e Norte da Europa.

A abertura da delegação da NATO no Japão, que seria a primeira na Ásia, visa também consolidar as relações com a Austrália e a Nova Zelândia, que juntamente com o Japão e a Coreia são (não sem contradições) os principais instrumentos da política externa norte-americana na região da Ásia-Pacífico, através dos chamados «Programas de Colaboração Individual Personalizados».

 



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