Trabalho infantil nunca mais!

Margarida Botelho

Assinalou-se no passado dia 12 de junho o dia mundial contra o trabalho infantil, instituído pela Organização Internacional do Trabalho há pouco mais de 20 anos. Calcula-se que sejam vítimas de trabalho infantil 160 milhões de crianças no mundo, uma em cada dez. Se faltassem factos para denunciar o capitalismo, este número devia ser suficiente.

A esse propósito, a Rádio Renascença e a Agência Ecclesia entrevistaram Fátima Pinto, presidente da Confederação Nacional de Acção contra o Trabalho Infantil – CNASTI.

Primeiro, a boa notícia sobre o trabalho infantil em Portugal: «o trabalho tradicional quase é considerado erradicado», diz Fátima Pinto. «Nós, Portugal, que temos uma experiência de combate e até bem-sucedida, temos obrigação de partilhar esta experiência e de ajudar os outros países a combater a sua realidade.» Os mais velhos lembrar-se-ão das gerações de crianças e jovens condenadas no nosso país ao trabalho infantil. Não foi assim há tanto tempo que a realidade mudou: já em plena década de 90 do século passado continuavam a existir milhares de crianças a trabalhar. A luta dos trabalhadores e as transformações conquistadas com a revolução de Abril foram decisivas para que a situação seja hoje bem diferente.

Em segundo, a má notícia. A presidente da CNASTI expressa na entrevista preocupações com a exploração de crianças na mendicidade, na prostituição e em tráficos diversos no nosso país. Refere que há crianças exploradas em actividades artísticas e desportivas, que a sociedade não vê como trabalho, mas que prejudicam o seu desenvolvimento integral. E fala do perigo de andar para atrás: «nós sabemos que a pobreza anda sempre de mão dada com a exploração de trabalho das crianças. O trabalho infantil não é uma realidade estática, a todo o momento as coisas podem mudar. (…) Temos consciência de que há famílias que vivem na pobreza, apesar de trabalharem, e que o salário não chega mesmo ao fim do mês, portanto, isto é uma preocupação constante, para a CNASTI e tem de ser para toda a gente.»

Tem razão. O aumento dos salários é verdadeiramente uma emergência nacional. Lutemos, pois, por isso, com toda força da unidade dos trabalhadores.

 



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