Os comentadores e a demissão do jornalismo

Muita gente tem falado, ao longo dos últimos anos, na crise do jornalismo e da comunicação social. O Presidente da República tem, repetidamente, alertado para a profunda crise que o sector atravessa, apontando para a sua dimensão económico-financeira. A comissão que elaborou o recente Livro Branco sobre o Serviço Público de Media (em vésperas da revisão do contrato de concessão da RTP) apontou para a necessidade de uma maior integração entre plataformas, com uma aposta no online. Outros culpam a difusão de conteúdos online de forma gratuita, de forma legal ou ilegal, como a causa de todos os males no sector. Mas há dois aspectos com profundas consequências que têm contribuído fortemente para o afastamento entre a informação que recebemos e a informação a que temos direito.

Primeiro, a precariedade e a degradação das condições de trabalho dos jornalistas. O resultado está à vista, sendo mais ou menos fácil de detectar: a recente visita do Secretário-geral do PCP à Região Autónoma dos Açores não teve praticamente nenhum reflexo na comunicação social nacional. O facto de alguns órgãos de comunicação social não terem jornalistas em algumas das ilhas dos Açores não justifica esse silenciamento, até porque fizeram cobertura de iniciativas. Mas, do Continente às ilhas, o tal Livro Branco apontou uma deficiente presença da RTP em todo o território nacional, mas como as questões do financiamento ficaram de fora da sua elaboração, não se prevê qualquer alteração. Mas esta realidade é também visível noutros episódios recentes, como nas reportagens da TVI sobre uma investigação judicial a envolver eleitos do PSD nas autarquias de Lisboa. Sendo apresentadas como uma investigação da TVI, na verdade assistimos a pouco mais que uma leitura seleccionada de documentos da investigação que está em curso pelas autoridades judiciais. Não sabemos se foi assim por opção editorial ou por falta de meios, mas o resultado foi a demissão do papel do jornalismo e dos jornalistas.

Noutra estação – na SIC – tivemos mais um exemplo flagrante em que uma jornalista deixou de exercer o seu papel, algo que se vem tornando norma no Jornal da Noite. Da mesma forma que Marques Mendes, ao domingo, leva o seu guião e finge dar notícias perante a passividade, quando não entusiasmo, dos jornalistas que tem à frente, também Milhazes teve todo o espaço para repetir os mesmos patéticos disparates com que tentou ameaçar o PCP, a Festa do Avante! e os artistas que nela participam. Sendo alguém sem pingo de credibilidade, a verdade é que tem um órgão de comunicação que o acolhe e que lhe permite lançar acusações que até já foram objecto de uma queixa do PCP à ERC, a que esta deu razão, a propósito de uma peça da SIC. No entanto, neste caso, a degradação do jornalismo só é explicada pela opção pelo anticomunismo: compare-se a passividade de Clara de Sousa com Milhazes ou Marques Mendes com a agressividade com que vários dirigentes do PCP foram recebidos naquela estação e retire-se daí as conclusões.




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