Paulo Raimundo constata nos Açores dificuldades acrescidas de quem ali trabalha

Na Região Autónoma dos Açores, marcada por acrescidas dificuldades e injustiças, resultantes das políticas dos governos da República e da Região e agravadas pela insularidade, Paulo Raimundo defendeu a necessidade de medidas urgentes quer para valorizar salários e pensões quer para apoiar a produção, designadamente na lavoura e nas pescas.

A autonomia tem de servir os trabalhadores, o povo e a região

O périplo açoriano de Paulo Raimundo iniciou-se quinta-feira, dia 1 de Junho, na ilha Terceira, onde jantou com dezenas de militantes comunistas, activistas e apoiantes da CDU. Intervindo no encerramento, o dirigente comunista sublinhou a acção e determinação do PCP para, na região, dar resposta aos problemas que os trabalhadores e povo enfrentam. Uma região onde as injustiças e a pobreza marcam presença e em que os baixos salários têm particular expressão, agravando as dificuldades face ao aumento do custo de vida. A estes acrescem «os custos da insularidade», caso das deficientes ligações entre o continente e a região, que o próprio testemunhou, tendo o programa da deslocação sido encurtado devido às carências existentes ao nível da mobilidade.

Já no Faial, a segunda das quatro ilhas onde Paulo Raimundo estabeleceu contactos com trabalhadores do sector da pesca, produtores de carne e leite e população. No encontro com com agricultores, estes denunciaram as dificuldades crescentes dos produtores de carne face ao aumento brutal dos factores de produção e à compressão dos preços pagos a quem insiste em produzir. Situação semelhante à que ocorre no sector leiteiro, foi-lhe transmitido.

A jornada terminou com um jantar com comunistas e amigos do Partido, tendo o Secretário-geral do PCP salientado que os contactos e conversas estabelecidos confirmaram os problemas decorrentes da perda de poder de compra ou das dificuldades dos custos crescentes de tudo o que é essencial para viver e para micro, pequenos e médios empresários manterem as respectivas actividades, contrastando com o aumento dos lucros dos grupos económicos. Reafirmou, por isso, a importância e papel do PCP, da acção dos seus militantes e apoiantes, na afirmação e defesa de direitos, salários, pensões, serviços públicos, tendo Paulo Raimundo aproveitado a ocasião, ainda, para criticar os que contrariam os princípios da autonomia regional, conquistada para servir os trabalhadores, o povo e a região.

Valorizar quem produz e quem trabalha

Sábado, 3, a comitiva comunista liderada por Paulo Raimundo visitou as instalações da Cooperativa Vitivinícola do Pico, acompanhado pelo seu presidente e outros quadros, tendo atestado o papel relevante daquela na economia da ilha e no apoio e suporte à actividade dos cerca de 280 cooperantes, designadamente no escoamento e valorização da sua produção. Antes de almoçar, no Pico, com cerca de duas dezenas de militantes e amigos do PCP, Paulo Raimundo teve ocasião de reiterar a importância da cooperativa, empenhada na internacionalização de vinhos de inegável qualidade e na modernização das suas instalações e processos técnicos.

O dia terminou em Ponta Delgada num jantar-convívio em que participaram dezenas de pessoas e no qual o dirigente comunista denunciou a submissão do Governo à banca (ver caixa).

A concluir o périplo, o líder do PCP encontrou-se, domingo, 4, com a direcção da Associação Agrícola de São Miguel, tendo voltado a inteirar-se da situação, problemas e reivindicações de um sector em que predomina a produção de leite e de carne.

Problemas relacionados com os transportes e a capacidade portuária, os apoios à produção (incluindo no plano da UE), a sujeição às estratégias industriais associadas à transformação ou o aumento de custos dos factores de produção, figuram entre as principais dificuldades recenseadas. A estas soma-se, ainda, a situação especifica de muitos pequenos produtores, alguns com actividade a título individual, nomeadamente nos planos fiscal e da Segurança Social.

Já num breve encontro com agentes culturais, no Teatro da Ribeira Grande, Paulo Raimundo constatou as dificuldades e as carências, mas também o muito e bom trabalho que neste campo é feito por numerosos criadores, tendo, por isso, reafirmado que a Cultura é, como qualquer outra área essencial, um investimento.

Os bancos mandam, o Governo executa

Durante a sua deslocação aos Açores, Paulo Raimundo foi confrontado com a abertura, por parte do Governo, da comercialização de Certificados de Aforro à banca e pelo rebaixamento da taxa paga por aqueles títulos. Algo que, sublinhou, visa assegurar que as instituições financeiras prosseguem a acumulação de lucros, os quais, nos últimos meses, ascendem a mais de 10 milhões de euros por dia, constituindo mais um factor de agravamento das injustiças resultantes da política do Governo PS.

«Uma banca que tem 10,7 milhões de euros de lucros por dia não precisa de mais favores», considerou, ainda, o Secretário-geral do PCP, para quem, «se dúvidas houvessem de que a banca decide e o Governo concretiza, está aí a prova».

Apesar de a questão dos certificados de Aforro ser «um escândalo», tem «a vantagem de «demonstrar, na prática, que o Governo não tem nenhuma dificuldade em se colocar ao serviço dos interesses dos grupos económicos». E «justiça seja feita», prosseguiu, «quando toca às questões dos interesses económicos, não é só o Governo que os defende», uma vez que «PSD, IL e Chega mostram-se todos alinhadinhos» no mesmo propósito.




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